08 de julho de 2026
Nacional

Senadora Marina Silva é recebida no PV em clima de comício

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A senadora Marina Silva (AC) assinou ontem sua filiação ao PV (Partido Verde). A cerimônia, realizada durante encontro nacional do partido, em São Paulo, começou por volta das 11h e, segundo o partido, pelo menos 1.000 pessoas se inscreveram para acompanhar a solenidade.

Marina foi recebida em clima de comício pelos novos colegas de sigla. Ao entrar no salão, os membros do partido gritavam seu nome e a aplaudiam em diversos momentos. Um vídeo com trechos da trajetória de Marina foi transmitido no início do evento.

Em discurso, o presidente do partido, José Luiz Penna, afirmou estar honrado com a entrada da ex-ministra na legenda, e disse que a mudança representa “um importante passo na luta pelo meio ambiente”.

A senadora é apontada como uma dos principais nomes na disputa pela Presidência da República, em 2010. Ela, no entanto, ainda não oficializou sua candidatura pelo partido. Ao deixar o PT, Marina afirmou que o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ofereceu “condições políticas” para avanços na questão ambiental.

Refundação do partido

A senadora evitou anunciar uma candidatura quase certa à Presidência da República pela legenda em 2010, afirmando que o PV precisa antes reformular seu programa político e sua estrutura partidária.

A ex-ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008 fez críticas ao modelo de desenvolvimento adotado pela gestão do PT, que foi seu partido por 30 anos.

Segundo ela, a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva deveria, por exemplo, exigir contrapartidas ambientais nos programas de incentivo à economia - como a redução de impostos para a indústria automotiva e perdão de dívidas de grandes produtores rurais.

“O Brasil conseguiu equilíbrio econômico e isso foi fruto da iniciativa do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e foi consolidado por Lula... mas não podemos continuar crescendo na mesma direção que estamos crescendo”, afirmou Marina, acrescentando que o PV “não está dizendo que não se pode ter desenvolvimento, mas que esse desenvolvimento se dê de forma sustentável”.

Ela defendeu ainda uma “segunda fase” do programa Bolsa Família do governo federal, focada na inclusão produtiva dos beneficiários “para que a pessoa não se sinta dependente do Estado”.

A assinatura do termo de filiação da senadora ao PV aconteceu em uma luxuosa casa de eventos de São Paulo.

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Não se colocará como “vítima” de Dilma

São Paulo - A senadora Marina Silva (PV-AC) disse ontem que não se colocará como “vítima” da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Quando era ministra do Meio Ambiente, Marina teve divergências com Dilma. “Não vou me colocar no lugar de ‘vítima’ da Dilma”, afirmou.

Marina falou sobre sua convivência com Dilma no governo Luiz Inácio Lula da Silva, após confirmar sua filiação ao PV na tarde deste domingo. Apesar da possibilidade de enfrentamento eleitoral com a pré-candidata do PT à Presidência, ela sinalizou que não usará sua saída do governo para atacar Dilma numa eventual campanha do PV.

“Minhas posições eram defendidas de igual para igual quando eu era ministra. Na Casa Civil, a Dilma coordenava o governo. Mas, em última instância, as decisões sempre foram do presidente Lula”, avaliou.

Nos bastidores, a saída de Marina foi atribuída a críticas internas de Dilma à atuação do Ministério do Meio Ambiente, que sob o comando de Marina seria excessivamente rigoroso no licenciamento de obras e projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

A senadora, contudo, evitou reacender polêmicas com a antiga colega de governo e provável adversária nas urnas.