08 de julho de 2026
Articulistas

Iluminando Bauru

José Roberto Segalla
| Tempo de leitura: 4 min

Foi realizado em Bauru, na última semana, o Seminário “Gestão Municipal de Iluminação Pública”. O objetivo do seminário era obter as mais avançadas informações sobre tecnologia, planejamento, materiais, legislação e experiências administrativas bem sucedidas disponíveis em iluminação pública. Isto foi plenamente atingido. A razão de ser do seminário foi a pretensão de retirar Bauru da “era das trevas” e lançar nossa cidade na modernidade da boa iluminação. No passado recente, tínhamos em nossa cidade lâmpadas incandescentes na iluminação pública. Em dado momento, substituímos essas lâmpadas por lâmpadas à vapor de mercúrio. Todos gostamos, achando que Bauru ficou bem iluminada. Hoje, as lâmpadas de mercúrio ainda estão aí, e estamos achando que Bauru está às escuras. O que houve? É simples: a tecnologia em matéria de iluminação pública vem mudando em grande velocidade e nós ficamos para trás. Quando visitamos cidades que modernizaram sua iluminação pública é que percebemos claramente (perdoem o trocadilho ) o quanto nossa iluminação é ruim. O munícipe que pouco sai de Bauru está podendo perceber isto quando circula pela av. Duque de Caxias. Quando passa pelo trecho onde a iluminação ainda não foi trocada e a compara com aquela onde já se instalou as lâmpadas de vapor metálico com braço duplo, nota nitidamente a diferença, parecendo que sai da noite para entrar no dia. Bauru está parada no tempo em matéria de iluminação pública. De 1996 a 2006 não foi feito praticamente nenhum investimento neste setor em nossa cidade, em razão de estarmos inadimplentes para com a concessionária. De lá para cá, investimos muito pouco, pontualmente, trocando um pouquinho de lâmpadas aqui e ali. O que o seminário nos mostrou, também, foi que não basta substituir lâmpadas como estávamos fazendo. Uma boa iluminação vai muito além disso, passando pela escolha dos materiais adequados (braços, relês, capacitores, luminárias) e por um correto planejamento técnico, que leve em consideração o fluxo de trânsito e pedestres pela via, que privilegie corredores de ônibus, proximidades de escola, setores comerciais e, principalmente, que leve em conta locais onde se detecta que a insegurança pública, revelada pelos índices de assaltos, seqüestros, furtos, roubos, estupros está preocupante. É preciso, necessário, indispensável que a iluminação pública receba a atenção de um Plano Diretor específico, e que passe a ser gerenciada permanentemente em nossa cidade. Diversas conclusões foram tiradas nesse seminário e estarão sendo apresentadas na forma de documento nos próximos dias, mas uma delas, das mais evidentes, é que a Prefeitura precisa estar melhor aparelhada nesse setor. No momento, para cuidar de tudo o que diga respeito à energia elétrica, o que significa que além da iluminação pública cuida esse setor de qualquer problema na rede elétrica de todos os prédios e logradouros públicos da muni-cipalidade, dispõe a Prefeitura de uma equipe formada por dois técnicos e três eletricistas. Só. Não se trata aqui de criticar e sim de elogiar, pois com essa incrivelmente pequena equipe, muito se tem feito. Ocorre que precisamos de muito mais. Sem a presença de um engenheiro eletricista, estamos nas mãos da concessionária. Não se tem condições técnicas de discutir os projetos que a CPFL apresenta, restando-nos aceitar o que dizem e o que cobram. Não conseguimos gerenciar nossas contas, tanto de energia quanto de iluminação pública, o que significa não questionar os valores das faturas que nos são apresentadas para pagamento. Não temos estrutura para examinar o serviço efetuado e eventualmente recusa-lo se não estiver à contento. É por isso que grande parte das luminárias instaladas em nosso município iluminam o que não devem e deixam de iluminar o que precisa de luz. A primeira vista, pode parecer que aumentar e qualificar a equipe de trabalho da Prefeitura vai produzir mais despesa, mas isto é um engano. Um bom gerenciamento nessa área produzira, isto sim, muita economia. Deixaremos de gastar errado e mal. Deixaremos de pagar por serviços mal feitos e insatisfatórios. Passaremos a exigir uma contrapartida à altura daquilo que pagamos e, mais do que isto, pagaremos efetivamente somente por aquilo que recebermos. Em breve, em Bauru, teremos noites mais bem iluminadas. Melhor ainda: teremos nossa cidade corretamente iluminada. Fruto desse seminário, a Prefeitura receberá um projeto completo de reformulação da iluminação pública em nossa cidade. Um novo modelo de contrato com a CPFL. Um Plano Diretor de Iluminação Pública completo. Um planejamento de Gestão modelar para o setor. Uma forma de custeio que viabilizará a execução de tudo sem sacrifício do orçamento municipal. Descobrimos, nas palestras realizadas, que há na Eletrobrás 2 bilhões de reais disponíveis para financiamento pelo PROCEL-RELUZ, a juros de 5% ao ano, pagáveis em 84 meses e que Bauru pode se socorrer desse dinheiro, pois deixou de ter crédito negativado, bastando apresentar projeto. Enfim, Bauru de volta à luz.

O autor, José Roberto Segalla, é engenheiro, promotor aposentado e vereador em Bauru