09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Relevância deve ser medida

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Uma maneira de medir o quanto as indústrias são relevantes para a economia de Bauru é verificar quantos empregos ela gera e qual é o volume de impostos que ela repassa para os cofres municipais todos os anos. Para José Luiz Miranda Simonelli, diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), se a indústria não for relevante não irá causar nenhum ou pouco impacto na economia da cidade.

De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego, Bauru fechou 2008 com 15.254 pessoas empregadas na indústria. Esse número representa cerca de 16% de todo o emprego oferecido na cidade. O comércio, por sua vez, era responsável pelo emprego formal de 24.865 trabalhadores no fim do ano passado, o que representa cerca de 25% do total. Em termos de arrecadação de impostos, a indústria recolhe mais do que qualquer outro setor. Isso porque a tributação é mais alta e conta com pouco incentivo fiscal.

Para Simonelli, um dos motivos de Bauru ter um comércio forte é o fato de ter um parque industrial desenvolvido. De acordo com a análise dele, são pelo menos 15 mil consumidores com emprego garantido e dinheiro no bolso para gastar nas lojas e outros estabelecimentos da cidade.

Na opinião de Ricardo Coube, conselheiro do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), em Bauru, e diretor da executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico Regional (Coder), o setor industrial de Bauru tem um potencial muito grande de crescimento.

“Estamos, provavelmente, no melhor lugar para se desenvolver uma atividade empresarial. O primeiro ponto favorável é a localização geográfica. Num raio de 500 quilômetros atingimos uma região que é responsável por quase 50% do PIB nacional. Pega todo o Estado de São Paulo, o sul de Minas Gerais, parte do Mato Grosso do Sul e o norte do Paraná, além de Curitiba”, enfatiza Coube, que também é empresário.

Ele comenta que Bauru tem uma infra-estrutura de transporte que facilita o acesso a esse mercado. Além das rodovias, tem a ferrovia que, segundo ele, aos poucos começa a melhorar no transporte de carga. Coube cita também o aeroporto, que precisa ser melhor explorado, e a hidrovia, que possui uma capacidade de expansão muito grande. “Temos todos os modais facilitadores para o movimento de cargas”, diz.

De acordo com ele, a qualificação dos trabalhadores é outro ponto positivo da cidade. “Juntando o Sistema S (Senai, Sesi, Sesc e Senac) com as universidades e escolas técnicas, nós temos grande facilidade de formar profissionais especializados, o que é uma coisa muito importante nos dias de hoje”, comenta.

Na avaliação do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Nico Mondelli, para que todos esses pontos positivos tragam um progresso real para o município será preciso fazer alguns ajustes. Segundo ele, é preciso tornar Bauru uma cidade com condições de competir em pé de igualdade com outras como Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba e São José do Rio Preto.

Para isso, será preciso adequar a legislação da cidade. Segundo Mondelli, isso passa pela aprovação da Lei Geral do Município, pela construção de minidistritos, regulamentação das zonas industriais, comerciais e de serviços, e concessão de benefícios fiscais. De acordo com ele, sem infra-estrutura adequada e benefícios fiscais fica difícil atrair novas empresas. “Se não temos condições de oferecer infra-estrutura e benefícios, as empresas vão buscar em outras cidades”, argumenta.