07 de julho de 2026
Internacional

Kadaffi comemora 40 anos no poder

Folhapress
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Trípoli - Ao celebrar, amanhã, os 40 anos do golpe que o levou ao poder na Líbia, Muammar Gaddafi, 67, poderá se vangloriar de ter passado de “cachorro louco’’, como fora apelidado pelo presidente americano Ronald Reagan na década de 80, a ditador cortejado por potências mundiais, ávidas pelos recursos energéticos que abundam no território e pelo poder de investimento de um fundo soberano avaliado em US$ 70 bilhões.

Apenas neste ano, Gaddafi acumula um pedido de desculpas da Suíça - cujo governo não suportou as retaliações comerciais sofridas por prender o filho do ditador, que havia espancado um empregado em Genebra -, uma oferta de US$ 5 bilhões da Itália como compensação pelo período colonial e a libertação pela Escócia do ex-agente de inteligência Abdel Basset al Megrahi, único condenado pelo atentado de Lockerbie de 1988, no qual 270 pessoas morreram.

Mas os sucessos internacionais não escondem a realidade de um país governado com punhos de ferro, onde toda oposição é brutalmente esmagada e uma abertura democrática segue invisível no horizonte.

Não se nega que o sistema de Estado que Gaddafi impôs no país, que mistura socialismo e islã, garantiu educação, saúde e moradia populares. Mas os salários continuam muito baixos, e o governo ainda é o principal provedor de empregos.

Para Ali Ahmida, diretor de Ciências Políticas da Universidade da Nova Inglaterra (nos EUA), “se não fosse pelo petróleo, a Líbia seria a Cuba da África’’. “Instituições públicas estão terrivelmente decadentes, a população viveu em isolamento por muito tempo e há um medo muito grande de permitir qualquer debate real.”