09 de julho de 2026
Política

Vereadores do G9 se “estranham”


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Os problemas estruturais da rede municipal de saúde de Bauru são recorrentes na pauta dos discursos de vereadores do Legislativo e ontem não foi diferente. Entretanto, serviram de pano de fundo para desentendimento entre dois colegas - Carlinhos do PS (PP) e Renato Purini (PMDB) - que integram a base de sustentação de Rodrigo Agostinho (PMDB), o G9.

Ao criticar a atuação do governo municipal, que na opinião de Carlinhos do PS peca pela ausência de diálogo, acabou por estender o comentário ao líder do prefeito na Câmara. “A saúde está medonha e continua assim. Tem diretor que só quer ganhar. E agora querem mandar uma lei para acabar com a vida dos funcionários. Tem que conversar. O Purini fica sabendo das coisas na última hora. Foi assim com a nomeação do Batata e do Manfrinato. Tenho dó dele. Esta base está um mingau bem fraco.”

O peemedebista pediu aparte e rebateu as críticas. “O projeto da saúde não foi nem enviado e o senhor já está falando dele. Isso eu realmente eu não sei. Não é com discurso que vai nomear ou não diretor. Exijo respeito. Não tenha dó de mim. Por que não critica o Departamento de Água e Esgoto (DAE) ou a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru Emdurb?”, questiona Purini.

O recém-chegado Carlão do Gás (PR) tentou intervir e pedir para que o nível fosse mantido, mas o pepista argumentou que era seu jeito. Líder do PP, Roberval Sakai saiu em defesa do colega e afirmou que Carlinhos do PS tem liberdade para usar a tribuna e expressar aquilo que está sentindo. Em represália, a dupla não participou da reunião com a administração municipal.

O imbróglio teve início quando Sakai usou a tribuna para contar sobre sua experiência, como acompanhante de uma usuária do Sistema Único de Saúde (SUS), durante o final de semana. No domingo, viu o Pronto-Socorro Central (PSC) lotado de pacientes em busca de um atendimento e dos oito médicos plantonistas escalados, apenas quatro estavam atendendo - três no setor de emergência e um no setor específico para os casos suspeitos de gripe suína.

Segundo o vereador, o que chamou a atenção dele foi que, em um determinado momento, o atendimento parou, a fila não andava. Foi, então, que ele decidiu entrar no espaço reservado para os médicos. Sakai disse que encontrou dois médicos dormindo e apenas um atendendo. Em seguida, ele foi até o setor destinado aos suspeitos de gripe A e encontrou o único médico em serviço, descansando. O desabafo gerou comentários de vereadores do PPS, DEM, PSDB, PV, PSB, PT e PDT, e praticamente pautou a sessão da Câmara, com cobranças sobre o plano para a saúde, prometido pelo secretário municipal Fernando Monti.

Em nota, a pasta informa que o secretário lamenta profundamente o ocorrido se os fatos realmente aconteceram como relatados no PSC. Segundo Monti, os médicos foram formalmente solicitados a darem explicações sobre o ocorrido, para orientar as medidas que serão tomadas. Fernando Monti informou ainda que promoverá uma readequação do sistema de trabalho com um estudo de atribuições mais específicas para cada funcionário do Pronto-Socorro Municipal. O secretário deve implantar também uma Comissão de Acompanhamento do Trabalho Médico, inclusive com convite à participação do Conselho Regional de Medicina e Associação Paulista de Medicina.

‘Normal’

Para o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), o desentendimento entre os parlamentares é normal. “Quem conhece Câmara Municipal sabe. De vez em quando os ânimos, as discussões são mais acaloradas. A discussão faz parte do parlamento. Quanto ao Sakai e Carlinhos – a prefeitura tem trabalhado para atender suas reivindicações, a medida do possível, temos uma discussão muito franca com eles.”

Quanto à uma crise na base, o prefeito foi enfático: “Espero que não”. Em relação ao vereador Renato Purini, o chefe do Executivo disse que têm coisas que acontecem na administração que nem o prefeito fica sabendo. “Isso é natural. Coisas acontecem no dia da sessão da Câmara, por exemplo, como a mudança da secretaria de Esportes. Não é que ele não sabe de nada. Têm coisas que realmente ele não sabe, têm coisas que são realmente pequenas dentro da administração pública, mas na medida do possível vamos trabalhar para que os vereadores tenham melhores informações.”