10 de julho de 2026
Polícia

Sindicância da SAP irá apurar fuga de reeducandos do IPA

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) do Estado de São Paulo determinou, ontem, a instauração de procedimento de apuração para tentar esclarecer as circunstâncias em que ocorreu a fuga de quatro reeducandos do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru, na noite do último sábado. A sindicância será conduzida pela Corregedoria Administrativa do Sistema Penitenciário.

Paralelamente, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) assumiu as investigações do homicídio de Lorenil Batista da Silva, 42 anos, assassinado a pauladas por um grupo que, supostamente, teria colaborado para a fuga dos internos. A vítima era cunhado de Wagner Roberto Valentim da Silva, que é agente penitenciário e subdiretor de segurança e disciplina do IPA, e tentava ajudar na recaptura dos fugitivos.

Identificados como Erivelton Nunes Dias, 30 anos, Mirobaldo Cavalcante de Paula, 32 anos, Carlos Cardoso, 27 anos, e Robson Aparecido dos Santos, 25 anos, os reeducandos continuam foragidos. Lorenil foi morto porque tomava conta de Erivelton, recapturado logo após a fuga, ainda nas imediações do IPA. O interno foi algemado e preso a uma grade, enquanto os agentes continuaram a busca pelos demais fugitivos.

Lorenil acabou surpreendido por homens que teriam chegado em um Fiat Uno preto para resgatar Erivelton e foi atingido na cabeça por um pedaço de madeira, o que provocou a sua morte. De acordo com a SAP, a administração do presídio informou que o cunhado do agente não estava autorizado a agir da maneira como agiu, mas a alegação do instituto ainda terá de ser devidamente comprovada.

Na avaliação do delegado Cledson Luiz do Nascimento, da DIG, as circunstâncias em que a fuga ocorreu são atípicas e todas as linhas de investigação ainda estão sendo consideradas. “Numa instituição de regime semi-aberto, uma fuga com morte é bastante incomum. Mas ainda não sabemos o que realmente ocorreu naquele momento”, observa. Segundo ele, caso a sindicância realizada pela SAP aponte o envolvimento de funcionários do IPA na fuga dos reeducandos, o delito também será apurado pela Polícia Civil.