10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Tensão aumenta no 2º dia de greve dos ferroviários


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Denúncias de ameaças de ambas as partes, questionamento de adesão e ações na Justiça marcaram o segundo dia da greve dos ferroviários, ontem. De acordo com o Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a adesão é de mais de 80% dos 2,8 mil trabalhadores. Já pelos números da América Latina Logística (ALL), concessionária da ferrovia nos três Estados, dos 1,4 mil colaboradores da região, menos de 100 teriam paralisado as atividades.

No final da tarde de ontem, a empresa obteve liminar que proíbe qualquer ato de desordem que dificulte ou impeça o acesso de veículos ou trabalhadores à empresa, ou que impeçam o deslocamento de trens na região, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A decisão foi da 1.ª Vara do Trabalho de Bauru.

Para o vereador Roque Ferreira, coordenador de relações políticas e institucionais do Sindicato dos Ferroviários, a decisão já está contemplada dentro da lei de greve. “Os trabalhadores têm livre acesso à empresa. Os que não estão conduzindo trens são os que tomaram a livre decisão de paralisar as atividades”, afirma. Ele avalia que está dentro da legislação a realização de piquetes de convencimento.

“A liminar concedida na Justiça é inócua, porque os ferroviários que fazem a greve não são bandidos, são homens sérios, honestos, trabalhadores, e todos os que querem entrar para o seu trabalho estão indo normalmente”, garante.

Os ferroviários estão parados desde anteontem. Entre as reivindicações da categoria estão aumento salarial de 6,78% referente ao índice inflacionário de 2008 para todas as faixas salariais e cumprimento da legislação em relação à jornada de trabalho e benefícios legais, como folgas. Segundo Roque Ferreira, o movimento afeta o transporte de cargas na região.

Melissa Werneck, superintendente do “departamento de gente” da ALL, afirma que na região de Bauru trabalhadores teriam sido ameaçados. “Além disso, eles ameaçam o patrimônio público, já que os alvos são passivos da União. A empresa é apenas concessionária”, afirma.

Ela também afirma que as partes ainda estão em processo de negociação, mas que aguarda resposta do sindicato à proposta enviada aos funcionários. “Eles apenas não concordaram e entraram em greve, não nos procuraram com outra proposta”, diz.

Dois trabalhadores da ALL relataram ao Jornal da Cidade que foram ameaçados. Uma das pessoas ouvidas disse que, na tarde de ontem, recebeu uma ligação em seu celular na qual o interlocutor teria ofendido o colaborador com palavrões. Em seguida, telefonaram para a residência da pessoa e disseram que iriam atear fogo no imóvel. “Agora, já estou melhor, mas senti muito medo. Nunca tinha sofrido nenhum tipo de ameaça”, diz o homem, que pediu para não ser identificado. “Tenho certeza que isso foi por eu defender a minha posição. A greve é um movimento legal, mas quem não quiser aderir, como eu, tem que ser respeitado.”

Roque Ferreira rebate as informações. Ele avalia que essas denúncias fazem parte de uma ação contra o movimento. “É estratégia da empresa tentar desqualificar e criminalizar o movimento sindical. Estamos acostumados com isso”, afirma.