Qual a criança que não conta os dias para a chegada do bom velhinho? São momentos de ansiedade e alegria que mexem com a fantasia dos pequenos. E para a alegria deles, muitos papais noéis de Bauru já se preparam para uma das maiores festas do ano, o Natal. Alguns deles já têm a agenda cheia.
Personagem mais aguardado pela criançada na noite de 24 de dezembro, véspera da data, o Papai Noel precisa ter paciência, preparo físico e, acima de tudo, amor incondicional pelos pequenos. O assistente administrativo Ricardo da Trindade Oliveira, 42 anos, conta que entrou no ramo em 2006 por acaso. Nos últimos três anos, ele foi a atração da Casinha do Papai Noel do JC.
“Na época eu levava minha filha, que tinha 3 anos, para ver o Papai Noel e eu achava muito chato”, lembra.
“Foi aí que surgiu uma oportunidade. Me convidaram e eu aceitei o desafio. Fiz o meu próprio Papai Noel, que é brincalhão, pula, pega a criançada no colo, dança. Tento fazer o momento em que estão comigo diferente e especial”, acrescenta Ricardo.
Para conciliar os diversos compromissos do final do ano com o trabalho, Ricardo conta com a ajuda de seu chefe, que o libera nos horários das festas. “Desde o final do ano passado já tenho festas fechadas para este ano. Em 2008, fiz 12 festas no dia 24 e trabalhei das 9h às 3h do dia 25. Espero que este ano seja igual”, revela.
Família ajudante
Para não ficar longe da família, Ricardo leva a filha de 7 anos e a esposa como ajudantes do bom velhinho. “Começou como uma renda extra, mas hoje, ser Papai Noel é uma paixão. Eu brigo com o chefe se ele não colaborar”, afirma.
“O Papai Noel é eterno e precisa de muita paciência. Quando me visto com as roupas dele, me transformo, procuro dar atenção para todas as crianças, independentemente do horário. Pessoas da terceira idade também procuram muito o Papai Noel e se emocionam”, complementa.
Segundo Ricardo, entre os pedidos mais inusitados que ouviu nestes três anos está o de uma criança que queria uma girafa. “Há também um que pediu um carro de corrida de verdade e um pônei”, relembra.
“A parte ruim são os pedidos tristes. Com o alto número de casais separados, muitas crianças me pedem um Natal junto com o pai, a mãe e o Papai Noel. Como pai de família, esse tipo de pedido me deixa muito triste”, complementa Ricardo.
Na maratona do final de ano, Ricardo conta que chega a perder de 900 gramas a 1 quilo por dia. Todo o figurino do Papai Noel pesa cerca de 2,5 quilos. “No primeiro ano usei a roupa que me deram, mas como tomei gosto pela profissão, mandei fazer a minha própria roupa, com minhas medidas. A maquiagem também é especial”, finaliza.
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Paulo, 17 anos como Noel: ‘É uma paixão’
No ano em que completa 50 anos, o porteiro Paulo Roberto Miguel Melleiro pensou em deixar a profissão de Papai Noel. Mas o amor às crianças o impediu. Há 17 anos como “bom velhinho”, ele tem muita história para contar e se emociona ao relembrar de algumas delas.
Paulo, que já foi Papai Noel da Casinha do JC, revela que tem contratos fechados para o Natal deste ano desde o fim de 2008.
“Criança é a melhor coisa do mundo, e comecei a ser Papai Noel em uma brincadeira. Estava em uma festa de fim de ano quando o Noel contratado não apareceu. Como era o único gordinho, pediram para que eu me vestisse”, relembra. “Tive um pouco de receio de decepcionar a criançada, mas queria muito. Aceitei o desafio, me vesti e durante a brincadeira eu parecia mais uma criança do que o Papai Noel”, acrescenta.
Em 17 anos como Noel, Paulo conta, emocionado, que até hoje o pedido de uma menina de 8 anos, na Casinha do Papai Noel do JC, foi o que mais o comoveu.
“Eu perguntei se ela tinha escrito uma cartinha para o Papai Noel e ela disse que a única coisa que queria era que os pais parassem de brigar e que eles tivessem ao menos arroz em casa para comer”, conta Paulo, que não conteve as lágrimas.
“Isso me comoveu muito, é de cortar o coração ver uma criança de 8 anos pedindo comida. Claro que tiveram outros pedidos parecidos, mas este certamente ficou marcado. Eu, se tiver duas coisas para comer e quatro pessoas com fome, vou repartir com as quatro. Não me importo de comer um pedacinho se eu puder repartir com o outro”, complementa.
Para os novatos, Paulo dá algumas dicas. “É preciso paciência e dar atenção para todas as crianças. Existem horas que você está com quatro, cinco crianças e todas falando ao mesmo tempo. Você tem que ouvir todas”, afirma.
No final do ano, para conciliar a profissão de porteiro com a de Noel, Paulo conta com a ajuda dos companheiros. “Me envolvi de tal modo que não consigo mais parar. Ser Papai Noel é uma paixão”, finaliza.
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Profissão requisitada
Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem) mostra que entre os profissionais mais solicitados para o final do ano está o Papai Noel. Neste ano, a expectativa é de que 123 mil postos de trabalho temporários para o Natal sejam abertos no Brasil, alta de 7% se comparado com o mesmo período do ano passado. Apenas o Estado de São Paulo deve abrir 39.791 novas vagas.
Segundo o levantamento, os outros profissionais mais solicitados serão fiscais de loja, empacotadores, atendentes, estoquistas, operadores de telemarketing, auxiliar de crédito e analista de crédito. As chances de emprego temporário estarão concentradas no setor de confecção, que sempre lidera as vendas no final do ano. Além disso, haverá oportunidades no setor de eletrodomésticos e no automobilístico devido à redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).