09 de julho de 2026
Internacional

Honduras: OEA rejeita propostas

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Tegucigalpa - O presidente da Costa Rica, Óscar Arias, mediador da crise política em Honduras, rejeitou três contrapropostas ao Acordo de San José, proposto por ele, apresentadas na sexta-feira passada pelo presidente interino hondurenho, Roberto Micheletti.

O ministro das Relações Exteriores da Costa Rica, Bruno Stagno, declarou ontem em entrevista coletiva que as alternativas expostas por Micheletti “corrompem a natureza” do acordo de San José e, portanto, não foram apresentadas ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. “Tendo estudado as três, nenhuma delas mantém a substância básica do Acordo de San José, na medida em que distorcem o ponto seis (retorno de Zelaya ao poder)”, disse Stagno.

O chanceler explicou que nas propostas de Micheletti a única menção ao ponto seis é a possibilidade de Zelaya voltar a Honduras, mas somente para responder na Justiça sobre os crimes atribuídos a ele.

Segundo a proposta de Arias, que tem o apoio da comunidade internacional, Zelaya voltaria à Presidência à frente de um governo de união nacional, o que é rejeitado por Micheletti, mas foi aceito, após resistências iniciais, pelo presidente deposto.

A Chancelaria hondurenha já tinha informado na segunda-feira que as três propostas enviadas a Arias excluíam um retorno de Zelaya e uma renúncia de Micheletti, e acrescentou que mesmo a possibilidade de entregar a Presidência a uma terceira pessoa não era uma “proposta formal”.

Micheletti, que apresentara a proposta de uma renúncia dele e de Zelaya para que outra pessoa assumisse o poder, disse ontem que já considerava esta via esgotada, mas insistiu que a decisão não significava um abandono do diálogo mediado por Arias.

O chanceler da Costa Rica também descartou aceitar proposta de uma renúncia dupla de Zelaya e Micheletti. Com o discurso de manutenção das negociações e a recusa sistemática em fazer concessões, Micheletti tenta ganhar tempo para que a eleição presidencial de novembro dê legitimidade a um novo governo, bloqueando o retorno de Zelaya.

A estratégia aparentemente está surtindo efeito, apesar da pressão internacional.