Hoje (1/9) pela manhã, o ‘Bom Dia São Paulo’ - noticiário da TV Globo - apresentou uma reportagem anunciando a abertura de concurso público para provimento de 2 mil vagas de Policial Militar, na graduação inicial de soldado de 2ª classe, do sexo masculino para o Estado de São Paulo. Dentre as exigências constam: escolaridade de ensino médio, idade entre 18 e 30 anos, altura mínima de 1,65m. O salário oferecido é de R$ 2.300,00. Não há dúvida que se trata de uma profissão que tem adicional de periculosidade, fazendo jus à aposentadoria especial. Assim, faço um contraponto com outra profissão que, também, tem direito à aposentadoria especial: o professor. Entretanto, os requisitos para este último não impõem restrição à idade, nem à altura, tampouco ao sexo, mas exige nível superior em curso de licenciatura de graduação plena. Outra diferença é o salário oferecido para a carreira do Magistério Paulista: R$ 1.515,42, para uma jornada de 40 horas semanais, conforme dispõe a Lei Complementar nº 1.094, de 16-07-2009.
“Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens”, já dizia Juvenal, poeta satírico romano, em latim Decimus Iunius Iuvenalis (60-140). O que se verifica é uma inversão de valores que ocorreu na sociedade, quando instituiu o modelo neoliberal regido pela lógica de “mercado”. Não se descarta a necessidade de segurança e segurança pública, aliás, a segunda na hierarquia de necessidades humanas proposta por Maslow: 1. fisiologia, 2.segurança, 3. relacionamento, 4. estima, 5. realização pessoal.
A educação é um processo que perpassa todas as necessidades e conduz o indivíduo ao atingimento do nível 5, realização pessoal, quando é capaz de mobilizar diferentes conhecimentos, de diversas naturezas para resolver situações concretas, ou no momento em que procura tornar-se aquilo que ele pode ser.
Para tanto, um profissional bem preparado, bem pago, cujo trabalho lhe ofereça realização pessoal, poderá conduzir as futuras gerações à melhoria das condições de vida e bem estar. Para a melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), não basta que uma parcela da sociedade desfrute dos benefícios almejados por todos, porém que a melhoria seja para todos. Esta meta só pode ser atingida com a valorização da Educação e de seus profissionais, não apenas nas intenções, mas de fato. Assim, retornamos à indagação do título: que sociedade queremos?
Beatriz Donda - professora da rede pública de ensino