08 de julho de 2026
Turismo

Canindé e o Xingó

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Engana-se quem pensa que saindo de Aracaju, Capital do Sergipe, rumo a Canindé de São Francisco só vai encontrar mandacaru, xiquexique e poeira. O sertão ainda não virou mar, mas é a prova da resistência do nordestino. Graças a irrigação está produzindo como nunca. Morango, quiabo, uva, melancia, melão... Com colheitas muito mais rentáveis do que se vê em muitas cidades do Sudeste.

A rodovia Aracaju-Canindé está como um tapete. Asfalto novinho garantindo rapidez e segurança para quem quer desbravar outras caras do menor Estado brasileiro, com direito a descobrir a Rota do Cangaço (onde Lampião e seu bando foi assassinado), os canions do São Francisco (paredões rochosos de até 50 metros de altura que emolduram a água verde do rio da integração), conhecer Piranhas (a cidade presépio do lado alagoano) e se contagiar com o clima interiorano, caloroso e aconchegante de Canindé, terra de valentes. Com direito a muita carne de bode (como o cabrito é conhecido por lá), quiabo e forró pé de serra.

Hoje, Canindé de São Francisco tem uma das maiores arrecadações em impostos de Sergipe. São tantas indústrias, hidrelétrica, comércio, a maior produção de leite do Estado, que por si só se basta. E vem despontando como um foguete no turismo, graças a um trabalho de fôlego do prefeito Orlando Porto de Andrade e da secretária de turismo, Sílvia de Oliveira.

Mergulho nas águas verdes

Os olhos não mentem: o Canion do Xingó (muitas publicações o grifam, ainda, com “y”) realmente, é um dos mais belos atrativos da cidade. O quinto maior canion navegável do mundo, incrustrado numa área que foi agreste até os anos 90, é exuberante por conta das formações rochosas, enseadas e ilhas que surgiram por conta do enchimento do Lago da Hidrelétrica de Xingó, trabalho do homem que uniu, com água, três Estados: Sergipe, Alagoas e Bahia, em 65 quilômetros de extensão.

Grandes cifras foram gastas: US$ 3,7 bilhões para o complexo funcionar. Ou seja: inundar uma área de mais de 60 quilômetros quadrados com as águas do Rio São Francisco, suficientes para encher 2,5 milhões de piscinas olímpicas. Mas a engenharia, aliada à natureza, deu frutos perfeitos.

Não há quem não se encante com essa visão impressionante: um dos mais belos espetáculos da terra, (obra do homem com a ajuda da natureza) que deixou transparente - apesar do mundo d’ água recebido - paisagens belíssimas, formações rochosas exuberantes, água cristalina, trilhas ecológicas, o parque temático da caatinga, vegetação exuberante e fauna diversificada.

Tonalidades

Depois de pouco mais de duas horas pela estrada - com direito a passagens por várias cidadezinhas bucólicas, com nome de santas, jegues e bodes cruzando numa boa as laterais - deixe o carro e vá até o porto.

Coloque o maiô, chinelos de dedo e tome seu lugar no catamarã para um passeio que jamais esquecerá. Especial para ir fotografando a navegação, admirar os paredões e as ilhas fluviais repletas de garças e outras aves responsáveis pelo ciclo da vida.

Canindé, ao contrário do povoado de Canavieras - que hoje está a 40 metros de profundidade - sobreviveu e hoje é uma das cidades mais visitadas dos turistas que vão a Sergipe, depois da Capital, Aracaju.

Uma cidade pacata, com restaurantes típicos, muitos cavaleiros e moças bonitas que se destacam nas quadrilhas de São João (programe uma viagem para lá no mês de junho).

Um lugar para se esquecer o corre-corre, descansar e acordar com o canto de pássaros, a visão do imenso Lago do Xingó e conhecer os atrativos por perto.

É dela que parte o catamarã o Paraíso do Talhado, rumo às rochas do canion sergipano. O passeio atravessa o reservatório chamado de lago da represa. Em alguns trechos, a profundidade atinge 170 metros, altura encoberta pelas águas do São Francisco depois da criação da hidrelétrica.

O rio, que antes tinha no máximo 100 metros de largura, chega agora a 300 metros. Conforme avança, a água vai mudando de tonalidade. Depois de algum tempo tomando uma cervejinha gelada e comendo frutas variadas (a irrigação garante um adocicado especial), os turistas se empolgam com as atrações do caminho.