09 de julho de 2026
Articulistas

O aprendizado da crise

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

As crises trazem malefícios. Entretanto, pode se apresentar como um enorme aprendizado. Por exemplo, a grande depressão de 1929 criou condições para introduzir o conceito de macroeconomia, até então inexistente. A ciência econômica evoluiu a partir dali. Os inúmeros choques das moedas, a crise brasileira em 1999, até mesmo os planos econômicos experimentados pelo Brasil desde 1986, foram aprendizados. O Plano Real só atingiu seu objetivo de conter a inflação devido às lições deixadas pelos fracassos anteriores.

A crise atual também tem que ser entendida nesta dimensão. Números atuais apontam para recuperação econômica das principais economias do planeta. Então, quais lições concretas podemos tirar da crise e utilizá-las como crescimento no mundo dos negócios? Passado um ano do início da crise, o Wall Street Journal fez uma lista de oito lições que podem ser tiradas dos desdobramentos dela, sobre as quais teceremos nossos comentários. Vamos a elas: 1) Diversificação nem sempre funciona. A crise se instalou mesmo praticando a diversificação. Não foi suficiente para segurar os negócios, portanto, voltamos à velha tônica de focar o negócio; 2) Os mercados estão mais interligados. Não há mais porto seguro em ouro, ações, commodities, etc. Quando um setor não vai bem, tem levado os outros para o mesmo caminho, com raras exceções; 3) Entenda todos os investimentos. Investimentos complexos enganam até grandes corporações; 4) Certifique-se de ter um portfólio líquido. A maior velocidade para conversão dos ativos em dinheiro é fundamental; 5) O governo funciona. As ações do setor público auxiliaram na minimização dos efeitos da crise; 6) Não deixe as companhias tornarem-se grandes demais para falir. Dimensionar o tamanho das companhias, dentro do controlável é fundamental; 7) Conte em qualquer equação de investimento o cenário mais pessimista. O histórico positivo do setor imobiliário americano iludiu as pessoas. Opte por analisar no pior cenário se o negócio for ou não viável; 8) Não fique muito pessimista. Crise sempre gera oportunidade.

Na prática, aqueles que operam os mundos dos negócios sabem que minimizar riscos é a melhor maneira de se posicionar no mercado. São lições que devem balizar as ações de cada de um de nós, independentemente do ramo de atividade, profissão e porte de empresa. É assim que a humanidade caminha e cresce. Leve este aprendizado.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista e articulista do JC