09 de julho de 2026
Polícia

Greve vira caso de polícia em Bauru

Por Luciana La Fortezza | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A greve dos ferroviários em Bauru resultou num boletim de ocorrência registrado anteontem, quando a paralisação foi marcada por momentos tensos. O caso registrado como lesão corporal envolve um segurança terceirizado pela América Latina Logística (ALL), que acusa dois diretores do Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul de agredi-lo fisicamente. A informação é refutada pela entidade.

Mas, segundo o histórico da ocorrência, quando os grevistas chegaram, permaneceram próximo ao caminhão do som. Depois, passaram a ofender a vítima. Por fim, a atacaram e provocaram lesões. O problema foi confirmado pela assessoria de imprensa da ALL. De acordo com o órgão, todo tipo de problema dessa natureza vem sendo registrado na Polícia Civil.

“O vigilante fazia uma vistoria num equipamento no pátio de manobras da ALL em Bauru, quando começou a ser agredido verbalmente por membros do sindicato. Ao manter a postura e não reagir às ofensas, um grupo de sindicalistas o agrediu. Foi lavrado boletim de ocorrência e hoje (ontem) estava marcado o exame corpo delito por conta de um machucado no braço. Esse não foi o único caso envolvendo sindicalistas. Ontem (anteontem), colaboradores que não aderiram à greve receberam ameaça de morte e agressão a familiares”, informa nota da assessoria.

De acordo com ela, a empresa registrou boletim de ocorrência em relação aos dois casos. “Concessionária do serviço público federal, a ALL continua trabalhando para garantir a segurança dos seus colaboradores, da operação ferroviária de cargas e a integridade do patrimônio público”, acrescenta.

Para o sindicato, a posição e o relato da empresa têm como objetivo criminalizar o movimento sindical. “Foi um desentendimento verbal. Um bate-boca. Não houve agressão física”, comenta o coordenador geral do sindicato, José Carlos da Silva. Ele conta que o problema começou quando o segurança colocou a mão no coldre. “Ele não estava mexendo com bandido. Estava lá para cuidar do patrimônio da empresa. Mas estava na rua, não dentro da empresa”, explica. Já o segurança relatou ter segurado o coldre para evitar que qualquer um pudesse pegá-lo durante a confusão.

Segundo o sindicato, a paralisação, iniciada no dia 31, continua. Até ontem à noite, a proposta feita pela ALL estava a caminho de Bauru, onde será avaliada pela comissão de negociação. A empresa informa que permanece aberta ao diálogo e às negociações dentro da legalidade. Aguarda contraproposta do sindicato.

Informa também que a greve continua apenas no Sindicato da Novoeste, que representa os trabalhadores de Bauru e Mato Grosso do Sul. Nos demais locais, a situação está normalizada. De acordo com a assessoria de imprensa, apenas 16 colaboradores aderiram à greve em Bauru. Já segundo o sindicato, dos 37 maquinistas, 30 estão paralisados.

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Audiência de conciliação

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) marcou, para o próximo dia 9, às 9h, em Brasília, a audiência de conciliação e instrução entre a América Latina Logística (ALL) e os cinco Sindicatos dos Ferroviários que representam os trabalhadores na malha ferroviária Paulista, Norte e Oeste.

A audiência foi agendada pelo ministro João Oreste Dalazen, vice-presidente do TST, em despacho que negou dois pedidos de liminares impetrados pela ALL. Em um deles, a ALL solicitava que o transporte ferroviário fosse classificado como essencial e, em outro, força policial para proibir os sindicatos de obstruir a passagem de trens.