09 de julho de 2026
Regional

Adolescente coloca veneno na escola e quatro se intoxicam

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos - Quatro adolescentes, estudantes da Escola Municipal Benjamin Constant, na área rural do distrito de Domélia, foram levadas anteontem ao Pronto-Socorro com sintomas de intoxicação por veneno em Agudos (18 quilômetros de Bauru). Uma delas ficou internada no Hospital de Agudos para observação. Um adolescente de 16 anos é acusado de colocar veneno na parede externa da sala para suspender as aulas.

A direção da escola registrou um boletim de ocorrência (BO) na Delegacia de Polícia, que apura o caso. Anteontem à noite, por volta das 22h05, a professora teria ouvido um tumulto em uma das salas. A diretora foi acionada e uma aluna reclamou que havia cheiro forte e que era impossível ficar na sala.

Em seguida, quatro alunas passaram mal, tiveram enjôos e foram conduzidas por uma ambulância do distrito ao PS de Águas de Santa Bárbara, que fica mais próximo do distrito, a cerca de 25 quilômetros. Elas foram medicadas e liberadas à família. No entanto, uma delas, Janaína Rodrigues, 14 anos, teve falta de ar e foi encaminhada pelo médico para o Hospital de Agudos. De acordo com o boletim médico, no início da noite de ontem, seu estado de saúde era estável, sem intercorrências.

Um dos alunos assumiu à polícia ter jogado veneno na parede da sala, no lado externo do prédio, com a intenção de acabar com a aula momentaneamente. Mas alegou que não tinha a intenção de “machucar” ninguém. O agrotóxico, provavelmente, seria utilizado em plantações de melancia. Devido ao forte odor, a escola, que tem 350 alunos, precisou ser fechada e passou por limpeza.

O caso foi registrado em BO como averiguação de envenenamento. O aluno foi acompanhado pelo responsável à delegacia onde foi registrado o ato infracional e depois liberado. Um frasco com o líquido usado por ele foi apreendido pela polícia. Perícia no material deve determinar o tipo de substância tóxica.

O sub-prefeito de Domélia, Wagner Brosco, explica que a escola é freqüentada por moradores da área rural. Ele diz que o caso está sendo apurado, mas não descarta a possibilidade de ter sido uma pessoa de fora quem “passou” o veneno para o aluno. “Pelo que está se constatando, teria sido uma pessoa de fora que teria passado isso (veneno) para ele (aluno)”, diz. “O intuito dele era liberar a classe para ir embora mais cedo”, completa. Na região, existem muitas propriedades rurais e as pessoas, por morarem em chácaras, teriam fácil acesso a agrotóxicos.

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‘Cheguei a desmaiar no banheiro’, diz aluna

No leito do Hospital de Agudos, onde está internada no setor de pediatria, a adolescente Janaína Rodrigues, 14 anos, disse à reportagem que estava sentada ao lado da janela da escola e sentiu um cheiro estranho, que acreditava ser vazamento de gás.

“Chegamos até a perguntar para outros alunos se estava vazando gás. Eles falaram que não. Foram olhar atrás da escola e viram que era veneno”, conta. Ela e outras três alunas, todas da mesma turma do primeiro ano do ensino médio, sentiram enjôos e foram encaminhadas para o Pronto-Socorro de Águas de Santa Bárbara.

“Só que na hora em que eu fui ao banheiro, desmaiei”, explica a jovem. A pedido do médico, ela acabou sendo transferida para o Hospital de Agudos, onde está em observação. “Eu senti dor de cabeça e embrulhação no estômago”, comenta a estudante. A jovem acredita que sua intoxicação foi maior por sentar próxima à janela, perto de onde estava o veneno. “Eu estava sentada do lado da janela”, confirma. Ela diz que chegou a fechar a janela, mas devido ao calor, ela foi reaberta pelos alunos.

Segundo a mãe da jovem, Rosanina Aparecida Rodrigues, 32 anos, o caso assustou as mães do distrito que têm filhos matriculados na escola. “Têm muitas mães que passaram mal também e que não dormiram à noite pensando”, confirma.