O gás natural para consumo industrial já está disponível em Bauru, no que está sendo caracterizado pela empresa distribuidora como “antecipação de fornecimento”. Nesta fase, o abastecimento da rede de distribuição já construída na cidade é feito com Gás Natural Comprimido (GNC), transportado por carretas da cidade de Araraquara até Bauru.
Em Bauru, o gás é descomprimido em uma Estação de Descompressão instalada na sede da Gas Brasiliano, empresa detentora da concessão do serviço na região Noroeste do Estado de São Paulo, e destinado à rede urbana. Este abastecimento será mantido até o início da operação da rede de distribuição, que ainda depende do funcionamento do “city-gate” do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), em Iacanga.
Este “city-gate”, sistema que permite a canalização do gás natural da tubulação principal para o ramal que chega a Bauru, está em fase de construção pela Transportadora Gasoduto Bolívia Brasil (TBG), com previsão de conclusão para o final do ano. Com o início de operação desta rede, cessa o abastecimento por carretas e todo o fornecimento de gás natural será feito via tubulação.
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru, o gás natural transportado por caminhões está disponível na cidade desde o último dia 31. Mas, conforme apurou o JC, inicialmente apenas uma indústria da cidade irá utilizar a nova matriz energética a partir da próxima semana.
De modo geral, as indústrias de Bauru ainda estão reticentes quanto à adoção do sistema, que depende de alto investimento para a adaptação dos equipamentos para funcionarem com o nova fonte de energia. Entre as preocupações estão uma possível disparada no preço do produto, a insuficiência de gás para atender toda a demanda e as vantagens da relação custo-benefício em comparação ao Gás Liqüefeito de Petróleo (GLP), atualmente utilizado para mover as máquinas das Indústrias.
Consultados pela reportagem, representantes de duas indústrias de baterias de Bauru afirmaram que ainda estão analisando as vantagens e desvantagens da implementação do sistema para receber o gás natural. Mas, segundo as empresas, em razão das incertezas que pairam sobre a mudança de matriz energética, ainda não há prazo para qualquer definição.
Gás natural X GLP
Frente à escalada do preço do GLP nos dois últimos anos, o diretor regional do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Domingos Malandrino, frisa que a chegada de um produto concorrente poderá ser vantajoso para o setor industrial já que, em dois anos, o preço do GLP aumentou mais de 50%. “O quilo variou de R$ 1,90 para os atuais R$ 2,96 e esse acréscimo no custo de produção comprometeu muito a rentabilidade das empresas. Com a concorrência, ou as empresas vão usar o gás natural com menor custo ou vão pagar por um GLP mais barato”, acredita.
De acordo com o que consta no site da Gas Brasiliano, o custo do metro cúbico do gás natural varia de R$ 0,88 a R$ 2,17, conforme a faixa de consumo do cliente. Também é cobrado um valor fixo adicional mensal, inversamente proporcional ao preço praticado pelo metro cúbico.
Malandrino lembra, porém, que é preciso uma maior quantidade de gás natural para atingir a mesma quantidade de calor proporcionada pelo GLP. “O preço precisa ser muito melhor do que o GLP. Considerando todas as questões envolvidas, ainda não dá para ter certeza da viabilidade”, afirma o diretor regional do Ciesp Bauru, que frisa desconhecer a existência de mais empresas na cidade que já estejam adaptando seus equipamentos para receber o gás natural.