As escolas estaduais de Bauru estão com dificuldades para cobrir as aulas de professores que faltam ou pedem afastamento. Em uma unidade do Núcleo Mary Dota, para não dispensar alunos de cerca de 11 anos de idade, a direção optou por chamar uma funcionária para tomar conta das crianças. A regulamentação das leis que restringem a contratação de temporários é apontada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) como a responsável pelo problema.
Ontem, a denúncia que chegou à entidade era que um dos professores da escola Ada Cariani Avalone não pode dar aulas e uma funcionária, que de acordo com a denúncia seria uma das responsáveis pela limpeza da unidade, teria permanecido com os alunos durante o horário da aula. Mas a denúncia dava conta que a funcionária teria passado atividades para as crianças, como a elaboração de uma redação.
O Jornal da Cidade entrou em contato com a Secretaria do Estado da Educação, que informou que a funcionária apenas “tomou conta” dos alunos. Segundo a assessoria de comunicação da pasta, por se tratar de crianças, a direção optou por não deixar os estudantes ir embora mais cedo. A medida foi adotada visando a segurança dos alunos. Como não foi possível escalar um professor substituto, a escola colocou a servidora para cuidar dos alunos. A secretaria nega que ela tenha passado qualquer atividade pedagógica aos estudantes.
Questionada sobre a alegação de falta de professores disponíveis na rede, a Secretaria de Educação afirmou que há educadores suficientes e que a Diretoria Regional de Ensino (DRE) tem autonomia para chamar profissionais para atender a demanda. Paulo Maximino, diretor regional de Ensino interino destaca que a DRE recebeu a denúncia sobre o caso da escola do Mary Dota e que o fato está sendo analisado.
Ele avalia que não existe problema de falta de docentes em Bauru. Para ele, como as leis são recentes - foram regulamentada em julho - o sistema de contratação de professores ainda passará por um período de ajustes até se normalizar. “Estamos passando por um momento de adequação. É preciso esperar um pouco”, diz. Para ele, as leis são positivas, pois acabam com os professores “temporários, que acabavam atuando como efetivos. “Antes, o professor era admitido em caráter temporário e ficava anos sem ser efetivado. Agora isso acabou, existe um prazo”, afirma.
Um dos projetos determina que os professores temporários, que entraram na rede estadual depois de junho de 2007, tenham contratos limitados a 24 meses. O outro propõe que educadores que prestarem concursos públicos terão, depois de aprovados, de fazer quatro meses de um curso de formação e, ao término, uma nova prova.
Dificuldade
A reportagem verificou que a dificuldade de conseguir professores para cobrir aulas de colegas licenciados é realidade em Bauru. A saída encontrada em algumas escolas é dividir os alunos entre as classes que contam com docente, inchando as salas de aula. Outras escolas chegam a pedir “emprestado” professores de outras unidades.
De acordo com a Apeoesp, o novo sistema impede a contratação de professores. Quando um docente precisa sair de licença, a escola demora até conseguir tapar esse “buraco”. Foi o caso da escola Ada Cariani, como informa Susi Silva, diretora estadual da entidade. “A unidade mandou as aulas para atribuição na Diretoria Regional, pois o professor está de licença. Mas elas retornaram sem a atribuição a um profissional adequado, alegando problemas com a legislação”, informa a sindicalista.
Ontem alunos da escola informaram desconhecer que funcionária da limpeza dá aula a colegas. Uma aluna afirmou que, quando falta algum professor, sempre é chamado um substituto. “Quando não tem nenhum, a gente fica na quadra ou na sala de aula com uma inspetora de alunos”, contou uma estudante da 5.ª série.
Para Susi, o caso precisa ser averiguado. “Protocolamos documento na DRE para solucionar o problema. É preciso verificar quem é o responsável. A unidade apenas buscou uma forma de minimizar o problema do Estado, já que a situação foi criada por ele. E nós alertamos que isso iria acontecer”, diz.