Brasília - Documentos obtidos pelo jornal “O Estado de S. Paulo” mostram que um dos apartamentos utilizados pela família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em São Paulo, teria sido adquirido e registrado em nome da empreiteira Aracati, atualmente conhecida como Holdenn Construções, Assessoria e Consultoria. Segundo reportagem, a empreiteira pagou R$ 270 mil pelo imóvel.
Os comprovantes mostram duas transferências bancárias, realizadas no dia 20 de fevereiro de 2006, quando a empreiteira recebeu a escritura. Três anos após a compra do apartamento, a Aracati ainda aparece como proprietária. O usuário do imóvel seria um dos filhos do deputado José Sarney Filho (PV-MA).
A justificativa da família Sarney é que o imóvel teria sido parcelado sem intermediação de instituições financeiras. O presidente do Senado usou a tribuna da Casa no mês passado para se defender e disse que o apartamento não teria sido passado para o nome da família porque a compra não teria sido quitada.
“Um dos meus netos está estudando em São Paulo. Meu filho compra um apartamento no mesmo edifício porque era mais fácil, onde moram seus primos. E declarou no seu Imposto de Renda. A escritura não foi passada porque não terminou o pagamento, mas consta no Imposto de Renda”, afirmou.
Sarney negou os que apartamentos utilizados pela sua família em São Paulo, teriam sido pagos pela empreiteira.
“O prédio na alameda Franca, modesto, saindo na (avenida) Rebouças, é um prédio de apartamento de 85 m2. Eu comprei o primeiro apartamento ali em 1977, ainda em construção, para ali morarem meus filhos que estudavam, um na USP outro na Faculdade Cristã. Agora, na terceira geração, quem vai lá, muitos colegas lá já foram, até se admiram como o presidente Sarney mora num apartamento de sala pequena e dois quartos”, afirmou.
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Simon diz que denúncias já nem causam mais impacto
Brasília - Um dos principais críticos à permanência do senador José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse ontem que as denúncias contra o peemedebista já não causam mais impacto entre os parlamentares.
Simon defendeu que as acusações sejam investigadas pela Procuradoria Geral da República, mas sinalizou que não pretende fazer nenhum movimento para que o Ministério Público se posicione sobre o caso. Simon descartou uma nova representação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa.
“Apresentar representação aqui é bobagem. O que pode ser feito é pegar tudo isso e fazer uma representação ao procurador-geral da República (Roberto Gurgel). Se ele quiser denunciar, denuncia; se não quiser, não denuncia. Ele pode pedir elementos para fazer uma investigação”, afirmou.
O peemedebista afirmou que cabe ao PSOL, que tem coordenado as ações contra parlamentares envolvidos em denúncias, propor uma ação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel - que já se manifestou publicamente contrário a uma investigação de Sarney. “Eu não, quem deve fazer isso (levar ao procurador) é o Nery (José Nery, líder do PSOL no Senado)”, disse.
A reportagem procurou o líder do PSOL, mas não obteve resposta.
Ao comentar a denúncia de que um dos apartamentos utilizados pela família Sarney em São Paulo teria sido adquirido por R$ 270 mil e registrado em nome da empreiteira Aracati, atualmente conhecida como Holdenn Construções, Assessoria e Consultoria, Simon ironizou. “Eu nem leio mais essas denúncias. Eu acho que o Sarney é um homem digno, é um homem correto, é um homem que preza pela transparência. Isso aí é inveja dessas pessoas. Eu acho que o que tem que se fazer é uma homenagem a Sarney”, afirmou.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) tem posição diferente de Simon e propõe uma discussão maior sobre a denúncia, mas não sinalizou que vai tomar a frente do movimento. “Não podemos deixar passar em branco”, afirmou.
O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou na semana passada o pedido da oposição para a reabertura dos processos contra Sarney no Conselho de Ética do Senado. O presidente do Senado foi alvo de 11 acusações, que envolvem tráfico de influência e nepotismo. Todas foram arquivadas pelo presidente do colegiado que lançou mão da prerrogativa do cargo e nem discutiu as denúncias.