08 de julho de 2026
Geral

Vitória Régia precisa ser repaginado

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O Parque Vitória Régia, principal cartão-postal de Bauru, é lindo quando visto e fotografado do alto. Mas quando contemplado de perto, sua beleza se esvai nos detalhes. Desde que foi inaugurado, há 31 anos, o parque nunca passou por uma reforma decente. O que houve ao longo desses anos todos foram pequenos reparos, uma espécie de operação “tapa-buracos”, para consertar os estragos provocados pelo vandalismo insistente. No mais, nada profundo e duradouro, como o parque merece.

Na opinião de arquitetos e paisagistas ouvidos pelo Jornal da Cidade, o Vitória Régia precisa ser repensado, reavaliado, revitalizado e repaginado, ou seja, tem de passar por uma reforma ampla a fim de atender as necessidades básicas de seus usuários. Para ver como o Vitória Régia ficaria, o JC “reformou” o parque digitalmente. Veja as fotos ao lado e na próxima página. Nesses 31 anos de existência, muita coisa mudou e o parque ficou obsoleto.

Uma prova disso é a falta de rampas de acesso para cadeirantes. Em toda a extensão do parque, existe apenas uma rampa, localizada atrás das arquibancadas do anfiteatro. E não é somente o acesso ao parque que é dificultado. Passear pelo Vitória Régia também é um desafio gigantesco para quem precisa de uma cadeira de rodas para se locomover. Se falta rampa do lado de fora, falta também do lado de dentro.

O que se vê são escadas com dezenas de degraus que transformam-se numa barreira intransponível não só para os cadeirantes, mas também para os pais que levam seus filhos pequenos em carrinhos de bebê. Os banheiros, que são abertos apenas em ocasiões especiais, não são adaptados para deficientes físicos.

Quando o projeto original do Vitória Régia foi concebido não havia essa preocupação com a acessibilidade. As adaptações de locais públicos para atender essa faixa da população vieram com o tempo, mas o principal cartão-postal de Bauru não acompanhou essas mudanças.

Outro detalhe que não foi inserido no projeto original e agora está fazendo falta, na opinião dos especialistas ouvidos pelo JC, é a ausência de estacionamento. Quando o parque nasceu, Bauru tinha, se muito, a metade da população de hoje, conseqüentemente, o número de veículos era bem menor.

Por isso, na época, as vagas existentes eram suficientes para atender a demanda. Atualmente, não é mais. Além de não atender a necessidade, o estacionamento é uma barreira para o pedestre. Isso porque as vagas foram construídas no lugar que deveria existir a calçada. Sem outra opção, o pedestre é obrigado a andar na rua, disputando espaço com os carros.

Para o arquiteto e paisagista Maurício Costa, a falta de uma área ampla para estacionamento reduz o uso do parque. “O fato do Vitória Régia estar do lado de uma avenida de trânsito intenso associado à falta de vagas para estacionamento, torna o parque uma área mais contemplativa do que participativa”, afirma. Na visão dele, o parque não “convida” quem passa por lá a parar o carro e desfrutar das coisas que tem a oferecer.

Se mesmo assim a pessoa decide entrar no parque, vai se deparar com outras deficiências, como falta de banheiro, de bebedouro, lixeiras em mau estado de conservação e poucos bancos.

Consultado pela reportagem, o secretário municipal de Meio Ambiente, Valcirlei Gonçalves, disse que não há nenhum projeto voltado para a reforma do Vitória Régia, apenas idéias.