Uma boa notícia para os milhões de brasileiros que sofrem de dores nas costas. Começa a ganhar terreno nas clínicas especializadas uma técnica de cirurgia de coluna minimamente invasiva que reduz o risco, a dor e o trauma de uma operação desse porte.
Essa nova técnica surge como uma opção para aqueles que não vislumbravam no horizonte uma saída que não fosse a cirurgia convencional, que precisa de anestesia geral, de reposição de sangue e tempo de recuperação de dois a três meses.
A cirurgia minimamente invasiva oferecida em Bauru desde a metade deste ano utiliza a radioscopia para tratar a região afetada. Através de uma incisão de menos de um centímetro, é inserida uma agulha ou cânula até o local que apresenta o problema. Durante o procedimento, é injetado anestésico e antiinflamatório na vértebra atingida. Além disso, a cirurgia é feita com anestesia local.
Depois de inserida a agulha ou a cânula, os médicos são guiados por radiofreqüência (raio-x) até o local da coluna que precisa ser reparado. O procedimento é rápido, dura de 30 minutos a uma hora e meia. O paciente interna de manhã e, na maioria dos casos, vai almoçar em casa. No máximo, dorme uma noite no hospital. O repouso exigido varia de 24 horas a 48 horas. Depois disso, o paciente volta a ter uma vida normal, segundo garante o neurocirurgião Luis Gustavo Ducati, um dos adeptos dessa nova técnica em Bauru.
Além disso, o risco de infecção hospitalar e de complicações no pós-operatório é quase zero. Na cirurgia convencional, por sua vez, a internação é de três a sete dias e o tempo de recuperação varia de dois a três meses.
Segundo Ducati, a cirurgia minimamente invasiva ganha ainda mais relevância quando leva-se em consideração que muitos pacientes que sofrem de problema crônico na coluna são idosos, têm diabetes, pressão alta e outros quadros que impedem ou dificultam que sejam submetidos às cirurgias convencionais por causa da anestesia geral.
Ele lembra que uma outra técnica consiste em colocar um eletrodo do lado do nervo afetado e aciona um pulso elétrico para reorganizar a atividade dele. “É como reiniciar um computador que está travando”, compara. De acordo com Ducati, a cirurgia minimamente invasiva não surgiu para substituir a cirurgia convencional. “Ela é uma alternativa que os pacientes não tinham até há pouco tempo”, diz.
O neurocirurgião lembra que anteriormente existiam apenas duas opções de tratamento. Se o problema na coluna não fosse resolvido com fisioterapia e medicamentos, o passo seguinte seria a cirurgia convencional. Agora, tem a cirurgia minimamente invasiva como uma terceira opção. Se a fisioterapia e os medicamentos não resolvem, ela pode ser a solução, sem a necessidade de passar por uma cirurgia delicada e de recuperação lenta como é a convencional.
Segundo Ducati, a nova técnica é um procedimento que pode ser repetido, se necessário. Quando injeta-se o medicamento direto no nervo ou na coluna, ele age durante um tempo que varia de três semanas a três meses. Depois disso, precisa ser reaplicado. Quando se usa o eletrodo para emitir ondas eletromagnéticas a fim de regular as atividades do nervo, a ação pode durar até um ano e meio.
“Para quem sente dores todos os dias, ficar livre do problema por alguns meses é vantajoso”, avalia. Ducati, porém, faz uma ressalva. Segundo ele, o método utilizado não garante o desaparecimento completo da dor. De acordo com o neurocirurgião, a redução do incômodo chega a 80%. Segundo ele, o suficiente para permitir que os pacientes voltem a ter uma vida normal.