08 de julho de 2026
Política

Semana desmistifica direitos humanos

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Duas semanas atrás, uma série de debates ocorridos no auditório da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) serviu para desmistificar a questão dos direitos humanos perante à opinião pública. Parte da população (e mesmo da imprensa) acredita, erroneamente, que a luta pelos direitos humanos equivale à defesa de bandidos e presidiários.

É evidente que a Constituição Federal e mesmo as convenções internacionais (entre elas, a Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948) versam sobre a necessidade se oferecer um tratamento digno aos presos, mesmo aqueles que praticaram crimes hediondos, como estupro, seqüestro ou homicídio.

Mas a questão dos direitos humanos vai muito além dessas particulariedades. É lutar para que famílias como a do catador de material reciclável Lauro Soares, 49 anos, tenham condições dignas de sobrevivência, como determina a Constituição de 88.

Atualmente, ele apanha material reciclável em um bolsão de entulho localizado às margens da rodovia Bauru-Iacanga. Nunca trabalhou com carteira assinada. “Antes eu era servente de pedreiro, mas tive um problema e acabei sendo preso. Fiquei dois anos na cadeia. Quando saí, em 2002, não achava mais emprego. Ninguém queria saber de contratar um ex-presidiário”, afirma Lauro, que, em liberdade, passou a viver de bicos.

A garimpagem de entulho tem sido o principal ganha-pão de Lauro desde então. Se conseguir encontrar um quilo de cobre entre os resíduos de construção civil, receberá R$ 7,00 de um atravessador. Se ajuntar um quilo de papelão, será remunerado com R$ 0,05.

De vez em quando, ele conta com a ajuda da esposa Terezinha Costa, 35 anos, no “garimpo”. Antes de se casar com Lauro, ela costumava trabalhar na lavoura. “Nunca fui à escola. Era longe demais de minha casa. Além disso, minha mãe queria que eu fosse para a roça ajudar a tratar da família”, explica a dona de casa.

Além do trabalho de Lauro, a única fonte de renda que a família possui são os R$ 150,00 reais que o Governo Federal paga de Bolsa Família aos filhos de Terezinha (são quatro crianças, no total). “Mas esse dinheiro é para os meninos. Eu nem gosto de mexer”, diz o catador de recicláveis.

“Se meu marido vier a faltar, não sei como vamos fazer para comprar comida”, diz Terezinha. Por enquanto, Lauro parece estar com plena disposição para o batente. Trabalha de domingo a domingo, das 8h às 18h. Nunca tirou férias e só viajou para longe de Bauru uma única vez, quando resolveu acompanhar o irmão, caminhoneiro, no transporte de uma carga de óleo a Montes Claros, no sul de Minas Gerais. “Férias, só quando eu morrer”, afirma.