09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Mobilização social


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A cada dia que passa mais nos enojamos ao abrir um jornal ou ouvir os noticiários da TV. Não tanto pela lama que tem vindo à tona, mas por desnudar a mediocridade que impera nas nossas instituições políticas e, mais do que isso, o próprio envolvimento dos meios de comunicação que alimentam e estimulam esse clima.

Por um lado, faz surgir estrelas de todos os tipos e, por outro, mantém o imaginário popular sempre na expectativa de novidades recheadas de mais lama. Percebe-se haver uma sensação de decepção se faltar lama para o ventilador. Pelo visto parece que não temos saída. A mediocridade instalada é parte do jogo político e, naturalmente, conseqüente da falta de dignidade e valores maiores, dos que nele se envolvem.

Será que é possível crer noutro mundo, com os personagens que ocupam o palco desde longa data? A arena está repleta de mentes doentias. Há uma obsessão na busca e na criação de todo e qualquer ingrediente que possa melar o jogo do adversário. Há um desperdício de energia da Nação, que está sendo canalizada com foco no negativo. De Norte a Sul e de Leste a Oeste, todos estão preocupados com as estratégias de como ganhar o jogo ou o poder ou, mesmo, locupletar-se.

Não há ideologias. Os partidos e as mentes estão voltados para destruir o outro. As palavras perderam o sentido da verdade. Por incrível que pareça, tanta gente ainda acredita no que ouve e, por isso, os políticos continuam com a mesma cantilena de promessas vazias. Os dinossauros continuam comandando o espetáculo. Se abríssemos as contas de todos os políticos, pouquíssimos se salvariam e, talvez, com alguma chamuscada.

Então, minha gente, como vislumbrar novos horizontes? Cada um de nós precisa começar a questionar tudo que nos é lançado pelos meios de comunicação e na roda de amigos. Precisamos amplificar nossa percepção da realidade em todas as dimensões.

Nesse balburdia de CPIs e denúncias, como saber onde está a verdade? E que verdade? E que relação ela tem no contexto histórico? Não acreditamos nas eleições como meio de mudança, pois, os candidatos já nos são impingidos pelo sistema. Desse ângulo não há muita esperança.

A meu ver, o caminho da mudança poderia vir da união das diversas entidades civis, despojadas de interesses particulares, tendo em vista a Nação e a coletividade como um todo, se debruçando conjuntamente sobre a melhor forma de produzir uma reforma institucional nas suas estruturas.

Há vislumbre de que isso esteja acontecendo! Consta, em reportagem, que o vice-presidente da Fiesp, Juan Quirós, disse que “falta uma mobilização Institucional da sociedade” – Temos, ainda, a frase do senador Pedro Simon – “se houvesse movimento da sociedade, duvido que o Sarney não teria renunciado” – A OAB através de seu presidente já se posiciona pela responsabilização criminal dos envolvidos nos escândalos do Senado. Já é um começo. No entanto, a Sociedade precisa se mobilizar para exigir uma reforma institucional, que traga no bojo uma ampla reforma política, administrativa e tributária.

Pedrito Fábis - funcionário aposentado do Banco do Brasil