08 de julho de 2026
Geral

Parada da Diversidade lota a Nações

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 3 min

O céu nublado de Bauru ontem foi colorido pelas cores da cidadania do movimento pela diversidade. As nuances do arco-íris tomaram a avenida Nações Unidas e reuniram cerca de 15 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, para a 2ª Parada da Diversidade, que encerrou a 1ª Semana da Diversidade de Bauru. No evento pelo direito à igualdade teve espaço para todos os segmentos: curiosos, autoridades políticas, militantes e simpatizantes.

“Vai ter um momento que não vamos precisar de eventos como este para quebrar preconceitos. Tivemos uma semana de debates muito produtiva, isso é importante. É a democracia”, afirma o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), que participou do início do evento, subindo em um dos trios elétricos, cedido para a Prefeitura de Bauru e autoridades, e foi embora minutos depois, alegando outro compromisso.

Neste ano, além do desfile, houve discussões sobre políticas públicas que promovem a diversidade, oficinas, debates e circuito gastronômico. Dentre os temas abordados, estavam segurança pública, idosos e educação, direitos humanos e diversidade. Durante a semana, foi elaborado um documento com sugestões de políticas públicas visando a diversidade e a reafirmação dos direitos iguais aos diferentes. O documento será enviado ao prefeito e à Câmara Municipal de Bauru, demonstrando amadurecimento político que o movimento pela diversidade atingiu na cidade.

Faixas ao lado dos trios pediam o fim do preconceito, intolerância e desigualdade ou ainda lembravam a população para dizer não aos políticos homofóbicos. O veículo que levava integrantes da administração municipal teve apoio das secretarias municipais do Bem-Estar (Sebes), Educação, Saúde, Cultura, Esporte e Lazer (Semel) e Desenvolvimento Econômico. A festa foi também um desfile de autoridades. Participaram a vice-prefeira Estela Almagro (PT), e secretário da Semel, José Carlos Batata (PT), secretário de Desenvolvimento, Nico Mondelli, secretária da Sebes, Darlene Tendolo, e os vereadores tucanos Fernando Mantovani e Gilberto dos Santos, o Giba.

Quatro trios elétricos – entre eles um cedido à prefeitura e outro à Central Única de Trabalhadores (CUT) - começaram a festa na Praça da Paz por volta das 15h, debaixo de chuva e frio. Entretanto, o som da música eletrônica e a importância social e política do evento contagiaram o público, que não se importou com o clima e acompanhou o percurso até o final.

A assistente social Simone Cury, 46 anos, foi para a Nações com a filha Ana Renata, 18 anos, e a amiga dela, Ana Laura, 16 anos, para prestigiar gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros e outras minorias. “É uma festa muito legal e animada. Se os gays podem participar das nossas festas, porque não a gente participar da deles também? É uma questão de respeito”, afirma.

Debaixo de um guarda-chuva, a família do professor universitário Antonio Francisco Maia de Oliveira, 38 anos, a mulher Fátima e as filhas Brenda, 11 anos, e Beatriz, 8 anos, tentava se proteger da chuva. Mesmo assim, não abandonou a Parada. “Viemos prestigiar a festa, mesmo com o tempo ruim.”

Às 16h, integrantes da Escola de Samba Ouro Verde 100% Arte iniciaram o desfile e saíram na frente dos trios elétricos, dando boas-vindas ao público presente. Aos poucos, a chuva deu uma trégua. Foi a senha para lotar a Nações Unidas e o Parque Vitória Régia, apoteose do evento, onde houve performance inspirada no filme “Moulin Rouge” e diversas outras apresentadas pela celebridade Monique Evans.

A 2ª Parada pela Diversidade de Bauru parece ter sido aprovada, principalmente por aqueles que lutam pelo fim do preconceito. “É muito bom essa alegria que a Parada traz e, acima de tudo, luta pelos nossos direitos”, diz Annaylah Twister, 20 anos.