10 de julho de 2026
Esportes

Eliminatórias 2010: Dunga aproveita vaga e ‘bate’ em seus críticos


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Dunga é monolítico. Nem a alegria da campanha brasileira nas Eliminatórias, que culminou com a vitória por 3 a 1 sobre a Argentina, no sábado, em Rosário, e a classificação para a Copa do Mundo da África do Sul, fez o técnico mudar. Na entrevista coletiva, ontem, oito horas e meia após a chegada da delegação a Salvador, ele entrou na sala de eventos do hotel onde a equipe está hospedada. Não achou nem graça no fato de os diferentes espaços no resort terem nomes de obras do escritor baiano Jorge Amado. Onde Dunga falou era Tenda dos Milagres. “Eu não acredito em milagres. Acredito em trabalho”, cortou o treinador, sem nenhum senso de humor.

Aparentemente obcecado com seus críticos, Dunga passou toda a entrevista, que durou pouco mais de 30 minutos, batendo e mandando recados. Não se sensibilizou nem com os números da seleção: melhor ataque (28 gols), melhor defesa (7 gols) e o artilheiro da competição na América do Sul: Luís Fabiano (9 gols).

“Após o jogo (em Rosário), ninguém deu parabéns pela classificação. A primeira pergunta foi dizendo que a Argentina jogou mal. Você faz bem em torcer pelo Chile. Eu queria que todos torcessem pelo Brasil”, disse Dunga, respondendo a um repórter chileno, insinuando que parte da imprensa prefere que a seleção brasileira perca.

Pelo menos na questão dos resultados, é difícil contestar o trabalho do treinador. Ele deixou para trás o grito de ‘adeus, Dunga’ ouvido nos estádios após empates e apresentações ruins contra Argentina (no Mineirão) e Bolívia (no Engenhão). Está garantido na Copa do Mundo, onde vai ter a chance de ser apenas o terceiro profissional da história a conquistar o Mundial como jogador e técnico. Os outros foram Zagallo e Franz Beckenbauer, pela Alemanha.

“Você acha que a pressão vai diminuir agora? Acredita nisso?”, questionou os jornalistas. “Se o Brasil levar 11 meninos de rua para jogar a Copa, vai entrar como favorito. Esse é o peso dessa camisa”. Dunga tentou resumir seu espírito no futebol ao filosofar dizendo que “a vida é um jogo”. Talvez pudesse substituir ‘jogo’ por ‘guerra’. Porque não é raro usar termos mais apropriados a um campo de batalha. Afinal, segundo ele, o lateral Daniel Alves é um jogador com “espírito combatente”.

Antes de entrar na sala da entrevista coletiva, Dunga recebeu de Nina Vieira, de 8 anos, um desenho de apoio à seleção. Não se furtou a mostrar os rabiscos da menina. Mas o sorriso só veio a pedidos. “Apesar de muita gente dizer da minha cara feia, a criança não tem falsidade no coração. É verdadeira”, concluiu ele, reconhecendo depois não ser uma pessoa maleável e considerando isso uma virtude.

Acomodação?

Durante a coletiva, Dunga alertou para a necessidade de os jogadores da seleção brasileira não se acomodarem diante do fato de o time já ter garantido a classificação à Copa. A partida da próxima quarta-feira contra o Chile, no estádio de Pituaçu, será uma ótima oportunidade para alguns jogadores convencerem Dunga de que podem ir ao Mundial. Diversos titulares estão suspensos ou contundidos e muitos reservas terão a oportunidade de jogar os 90 minutos.

“Os jogadores estão esperando uma oportunidade. Todos estão lutando por uma vaga na Copa do Mundo, temos que continuar no mesmo caminho. Quando a seleção entra em campo, tem que entrar para vencer e se superar com a vontade de entrar em campo”, ressaltou Dunga. O auxiliar-técnico Jorginho reforçou o discurso de que é proibido se acostumar com classificação ao Mundial: “Não podemos relaxar e pensarmos que já conquistamos o nosso objetivo maior, que é a conquista da Copa.”