Lula, com a retumbância que o caracteriza, anunciou as linhas gerais do pré-sal. Ninguém de bom-senso e com as lamparinas do juízo acesas pode se dar ao luxo de comemorar esta bela (e talvez última) hipótese de redenção do país. Os projetos podem ser discutíveis e até melhorados. Mas o eixo central deve permanecer, sobretudo pela criação de um novo marco regulatório que resgate o ensandecido e entreguista período do “collorato” e do “tucanato”, que, afoitamente visando os próprios interesses, jogou fora muitas das riquezas nacionais, em nome de uma pretensa incapacidade estatal para gerir até o boteco da esquina. Além da destinação equilibrada das riquezas esparramando melhores condições de vida para todos os estados da Federação. E destacando as áreas de suma importância neste século 21 que pretende dar vez ao século 22, em 2101, com a raça humana ainda existindo. As oposições querem discutir. Leia-se: as oposições que estão sem rumo desde 2003 farão o possível e o impossível para empurrar com a pança as decisões destes importantes projetos. Não haverá qualquer escrúpulo (e disso já deram mostra) de tentar procrastinar a discussão para 2010 que sendo ano de eleição em nosso país significa verdadeira hibernação cívica. Quando deveria ser o contrário.
Um pouco acanhado, o governador José Serra (ex-defensor da insíginia “O petróleo é nosso” - mas isto faz tanto tempo !) reclama que haverá pouco tempo para analisar os projetos. Entretanto, nunca se interessou em conhecê-los quando estavam sendo gestados. Serra está na fase em que “só pensa naquilo” - a eleição de 2010, sua candidatura, suas questões intestinas com Aécio e outros, seu medo de Ciro Gomes, seu medo de Dilma, seu medo - mais recente - de Marina. Curiosamente quando o tucanato colocou para exame do Congresso a reeleição de FHC, a privatização (ou “piratização”) das estatais, as quebras de monopólio e outras importantes decisões - sempre “no limite da irresponsabilidade” - o fez como rolo compressor goela abaixo ou lombo acima das oposições.
Nada como um dia após o outro. A situação que se pretendia salvática e longa (1994-2002) a tal ponto que Sergião Motta queria no mínimo 20 anos, agora se vê no exato papel que Lula e seus companheiros enfrentavam. Cada vez mais vale o velho ditado: “pimenta no olho dos outros é puro refresco”. Pessoalmente, me agrada muito um pouco de nacionalismo na nossa vida política. Os projetos do pré-sal trazem de volta esta perspectiva. Atenciosamente.
Marco Antônio de Souza - advogado