09 de julho de 2026
Nacional

Brasil gastou 5,6% do PIB contra crise


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Basileia - O Brasil gastou o equivalente a 5,6% de seu PIB em incentivos fiscais para tirar a economia da recessão. Nesta semana, os novos dados do PIB indicarão o fim da recessão. Mas, em termos percentuais, o Brasil gastou mais que Estados Unidos, França, Reino Unido ou Japão em pacotes de incentivos para o setor produtivo. Para a ONU, o Brasil sofrerá uma contração de sua economia de 0,8% em 2009, contra uma queda de 2,5% no mundo.

Ontem, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, insistiu que acredita que o ano terminará com uma taxa positiva de crescimento do PIB. Os dados sobre os gastos fazem parte de um relatório divulgado pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento que, um ano após a eclosão da crise, fez um levantamento de tudo que havia já sido gasto ou prometido por governos.

Os números ainda foram coletados de organizações como a OCDE e o Conselho da Europa. O relatório ainda aponta que os sinais positivos registrados no mercado internacional não significam que a crise tenha sido superada no mundo. Segundo a entidade, os gastos do Brasil estão acima da média dos países emergentes, que deixaram 4,7% de seus PIBs em medidas de resgate das economias.

Nos países em transição, o gastou médio foi de 5,8%. Já nos países ricos, o gasto chegou a 3,7% do PIB, o que valores é bastante superiores ao que os programas custaram para os países emergentes. No fim de semana passado, o G-20 deixou claro que não está ainda na hora de retirar os pacotes de ajuda. Para Meirelles, o Brasil também não deve atuar de forma prematura e retirar a ajuda.

“A recomendação (do G-20) também vale para nós”, disse. No total, a estimativa é de que em média cada uma das principais economias do mundo gastou 4% de seu PIB nessa crise. Nesse cálculo, a ONU inclui desoneração de impostos, investimentos públicos, ajuda a empresas que queiram manter seus empregados trabalhando, eventuais elevações de seguro desemprego e a distribuição de recursos para ajudar setores a exportar. Os estímulos fiscais dados pelo governo brasileiro foram inferiores aos da China e Coréia, com 6,2% do PIB, e dos 6,4% na Argentina.

Os gastos dos sauditas (9,2% do PIB) e sul-africanos (7,4%) também foram superiores aos do Brasil, que basicamente consistiu em isenção de impostos e investimentos públicos. Nos países ricos, os gastos com incentivos foram bastante superiores aos dos demais países em valores finais. Mas, em termos percentuais, foram menores. De uma forma geral, eles gastaram 3,7% de seus PIBs com os pacotes.

Nos Estados Unidos, a taxa chegou a 5,5%, contra 4,7% no Japão e 3,9% na Espanha. Mas o Reino Unido destinou apenas 1,9% e na França a taxa foi de 1,5%. Detlef Kotte, autor do estudo, aponta que de fato os pacotes foram e continuam sendo necessários para compensar as perdas geradas pela crise. “Sem essas medidas, a pobreza teria aumentando certamente no Brasil”, disse.

Kotte alerta que o impacto nas contas do governo apenas surgirá em 2010 no cálculo do déficit fiscal. “A esperança de muitos governos é de que esse déficit seja neutralizado pelo crescimento que os pacotes vão gerar”, disse. O risco, segundo ele, é de que a renda gerada pelo crescimento e o maior pagamento de impostos levem um certo tempo ainda para ocorrer.

Nos pacotes de socorro aos bancos, a situação é diferente. O Brasil destinou apenas 1,5% de seu PIB para ajudar as instituições financeiras. Na Índia, a taxa chegou a 6%. Já nos países ricos, os volumes chegaram a 263% do PIB da Islândia, mas de 230% na Irlanda, 81% nos Estados Unidos e 22% na Alemanha. Em média, as maiores economias destinaram o equivalente a 32% de seus PIBs em injeção de capitais em bancos, compra de ações, empréstimos, apoio do Banco Central e garantias.

Para a ONU, a realidade é que isso não resolveu o problema. Muitos bancos continuaram sem emprestar, ainda que o sistema financeira tenha sido salvo do colapso. Para a entidade, enquanto o desemprego aumentar e o consumo cair, os bancos não vão se sentir cômodos suficiente para voltar a liberar recursos.