10 de julho de 2026
Nacional

Em Brasília, desfile termina marcado por protestos contra José Sarney


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Brasília - O final do desfile de 7 de setembro em Brasília foi marcado por um protesto contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Cerca de 150 manifestantes, pelos cálculos da Polícia Militar, romperam uma das grades de segurança, invadiram o gramado da Esplanada dos Ministérios e conseguiram chegar a menos de 100 metros do palanque onde estava o presidente Lula. Os manifestantes cobravam a saída de Sarney da presidência do Senado.

“Sou brasileiro, sou patriota, mas eu não sou idiota”, gritavam os manifestantes, em sua maioria estudantes de escolas secundaristas e da Universidade de Brasília (UnB). Com as caras pintadas, muitos usando nariz de palhaço, eles carregavam cartazes e faixas com frases de efeito. Sarney não compareceu ao desfile - o Poder Legislativo não esteve representado na parada do 7 de Setembro porque o deputado Michel Temer (PMDB-SP) também não apareceu.

A intenção dos manifestantes era chegar o mais próximo possível do presidente, para que ele visse o protesto. Não deu muito certo. Assim que alcançaram a penúltima grade antes do palanque de Lula, os manifestantes foram contidos por 15 seguranças da Presidência, que correram para evitar que eles se aproximassem. Houve um princípio de confusão. Os manifestantes ainda tentaram medir força com a segurança, mas quando conseguiram furar o bloqueio, Lula já havia descido do palanque - estava entrando no carro oficial que o levaria de volta ao Palácio da Alvorada. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, tinha acabado de sair. Mesmo assim, o grupo elevou o tom dos gritos de protesto, que se misturavam aos ruídos dos aviões da Esquadrilha da Fumaça. A Polícia Militar foi chamada.

Os cartazes continham dizeres como “Fora, Sarney” e “Não aos atos secretos”, este último em alusão aos boletins sigilosos do Senado revelados pelo Estado no dia 10 de junho. Os estudantes, que disseram ter começado a preparar o protesto uma semana antes, também levaram para a Esplanada cartões vermelhos, como os do futebol, para repetir o gesto usado pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) para pedir em plenário a renúncia de Sarney. “Viemos protestar contra a permanência do senador na presidência”, disse a estudante Marisa Peixoto, 22 anos, da UnB.

Além da manifestação contra Sarney, um grupo de 20 pessoas aproveitou para pedir que o Supremo Tribunal Federal (STF) não permita a extradição do italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos na década de 70.