10 de julho de 2026
Bairros

Vento tira cobertura de casas e galpões e derruba árvores e muro em Bauru

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Quem estava no Centro ou na região leste de Bauru pode não ter sentido a força da ventania do início da tarde de ontem. Mas os moradores e empresários da região oeste viram cobertura de metal voar, muros caírem e árvores tombarem pela força do vento, que de acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), chegou a 70 quilômetros por hora.

De acordo com a Escala de Beaufort, que quantifica a intensidade do vento, um vendaval acima de 50 km/h já é considerado forte. Com a velocidade que atingiu ontem, a ventania é capaz de quebrar galhos de árvores e dificultar a circulação de pessoas. Porém, o IPMet está localizado na região sul. Portanto, o vento na região oeste pode ter sido mais intenso.

Era por volta das 14h30 e o aposentado Carlos Duschatsch estava em sua casa, um sobrado, na quadra 28 da avenida Castelo Branco, com um dos filhos quando o vento começou. A força da ventania arrancou a cobertura de metal do sobrado por completo. O telhado de metal caiu na avenida, em cima de um veículo. De acordo com as pessoas que estavam no local no momento do acidente, o carro não foi tão danificado. “Escutamos um barulho medonho e vimos a cobertura do sobrado voando e caindo na rua. Na queda, ela arrancou o toldo da minha empresa (no piso térreo)”, conta o proprietário de gráfica, Francisco Vieira Ferreira.

A rede elétrica foi danificada e o trânsito permaneceu interrompido até que a cobertura de metal fosse retirada da via. Sem a cobertura, a casa ficou desprotegida e a chuva que seguia com o vento inundou os cômodos da residência. “O vento bateu e levou tudo de uma só vez, não durou nem um minuto”, conta Duschatsch. Ele, a família e alguns amigos passaram o resto da tarde desmontando móveis e levando-os para o andar de baixo. “Levamos dois anos para construir esse sobrado. Trabalhamos nos finais de semana, feriados. Mas Deus nos ajuda a levantar de novo”, diz.

Perto dali, na Escola Estadual Professor Antônio Serralvo Sobrinho, o vento derrubou uma árvore que fica na área de estacionamento da unidade. Não houve danos maiores pois não havia veículos próximos da planta. Os galhos atingiram um veículo, mas sem provocar grandes estragos.

Pelas ruas da região oeste era possível verificar casas sem o beiral do telhado, árvores tombadas e muitos fios da rede elétrica rompidos. Um barracão comercial, na quadra 6 da rua José Santiago, ficou parcialmente destelhado. Além disso, a força do vento derrubou partes do muro de um condomínio residencial na avenida Comendador José da Silva Martha.

Uma casa no Jardim Ferraz foi interditada. De acordo com Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil, as telhas de amianto foram arrancadas pelo vento, que também prejudicou a estrutura do imóvel. A família que reside no local iria passar a noite em casa de parentes e hoje técnicos iriam verificar as condições da residência.

Previsão

Hoje ainda deve chover em Bauru, avisa o meteorologista Fernando Tavares do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual paulista (Unesp). Ele explica que a chegada de uma frente fria está provocando chuva com descargas elétricas e rajadas de vento. O tempo permanecerá instável até a sexta-feira. “Ainda com possibilidade de chuva, principalmente na quinta-feira”, afirma Tavares.

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Recinto Mello Moraes é danificado

No Recinto Mello Moraes, a ventania de ontem à tarde danificou parte do pavilhão do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio) - uma parede desabou. A cobertura de metal de um galpão e os exautores eólicos foram arrancados pela rajada de vento. Um contâiner se despedaçou e várias folhas de cobertura de metal do Recinto para ovelhas e bovinos também foram arrancadas.

Como o recinto é bastante arborizado, o vendaval quebrou galhos que danificaram a rede elétrica do parque em vários pontos. Érico Braga, presidente da Associação Rural do Centro Oeste (Arco), entidade que administra o Mello Moraes, informa que os prejuízos causados pela ventania ainda serão contabilizados. “Estamos fazendo um levantamento do que foi danificado, o que possui seguro. E iremos reparando na medida do possível”, destaca.

Na sexta-feira, o recinto recebe 32 ª Feira da Bondade da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru. Braga destaca que o evento não será prejudicado. “Vamos correr para deixar tudo em ordem, pedir apoio para a prefeitura e ver se há alguma alternativa para o uso do pavilhão danificado”, diz.

De acordo com Olga Bicudo Tognozzi, presidente da Apae, o galpão só seria utilizado na tarde de domingo, para o “Lanche da Bondade”. “Amanhã (hoje) iremos nos reunir para buscar alguma alternativa. Vamos ver se há outros locais para receber somente o lanche, já que o restante do evento não sofrerá alterações”, diz.