10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Telefone sobe: alerta para uso racional

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Entra em vigor amanhã o reajuste da tarifa de telefonia fixa da Telefônica, que atua em Bauru. As chamadas feitas de número fixo para celular não sofrerão alteração de valor. De imediato, o aumento não chama a atenção e nem chega a assustar os consumidores, já que será de 0,9767% nas ligações locais e interurbanas e também no valor da assinatura básica - taxa cobrada pela empresa para o cliente ter o serviço de telefonia fixa em sua casa. Entretanto, o economista e professor Reinaldo Cafeo alerta para o volume total de gastos, principalmente das famílias de classe média, com o item comunicação.

“O conjunto de gastos da classe média com comunicação vem crescendo muito. E quando você tem aumento acentuado de um gasto, ou você tem renda para suportar, ou vai se endividar. Hoje em dia, boa parte da população tem telefone fixo, Internet e celular - que não se limita a uma pessoa da família -, e o volume de gastos é grande. Em alguns estudos que eu fiz, os gastos com comunicação variam de 5% a 8% da renda familiar. Em alguns casos chegam a 10%”, ressalta o economista.

Segundo Cafeo, é muito comum entre famílias de classe média que o gasto mensal somente com telefone celular seja de R$ 600,00 por mês. Somando isso ao gasto com telefone fixo e serviço de Internet, uma parte muito significativa da renda fica comprometida. Ou seja, o tempo passa, mas o alerta para que seja feito o uso racional do telefone continua mais do que atual.

O economista Mauro Gallo compartilha da avaliação do colega Cafeo e destaca a importância da educação para o uso dos serviços de telefonia.

“Num caso como o desse reajuste da Telefônica, é muito comum que as pessoas não dêem importância porque o reajuste em si não é significativo. Por exemplo, numa conta de R$ 100,00, após a entrada em vigor do reajuste o consumidor passará a pagar R$ 101,00. Mas não é dessa forma que se deve pensar, porque o item telefone é apenas um do conjunto de gastos de uma família, e muitas pessoas usam o telefone desnecessariamente, aumentando o valor da conta enquanto se podia estar economizando”, observa.

“As pessoas precisam ter uma visão ampla da situação. Nas empresas, por exemplo, a maioria dos funcionários utiliza o telefone para fazer ligações particulares. Isso vai aumentar o valor da conta, que tem taxas embutidas como 33% de ICMS. Para equilibrar tudo isso, a empresa acaba aumentando o preço de seus produtos ou serviços, por exemplo. Então, não se pode ter uma visão simplista com base apenas no percentual de reajuste”, acrescenta Gallo.

Racionalização

Reinaldo Cafeo reforça o alerta dizendo que as pessoas não podem levar em conta o tamanho do reajuste apenas, e sim o tamanho de todos os seus gastos mensais e o que isso significa no seu orçamento.

“A racionalização do uso é a única saída para controlar as finanças nesse caso. Há pessoas que não possuem linha de telefone fixo em casa, mas em contrapartida, acabam usando muito o celular. Outras possuem as duas opções, mas usam o celular de maneira inadequada, por impulso. Então, é preciso um olhar diferente e criterioso para o item comunicação, porque ele vem comprometendo o orçamento das famílias”, sinaliza o economista.

A dona de casa Bianca Sanas possui telefone fixo em casa e mais três linhas de telefone celular - dela, do marido e do filho mais velho. Somando tudo, o gasto mensal com telefonia gira em torno de R$ 400,00. Sem revelar o quanto isso significa da renda familiar, ela diz que qualquer reajuste deve ser recebido com cautela.

“A gente procura se controlar, mas às vezes acaba extrapolando. O telefone é uma necessidade, mas concordo que nem sempre a gente faz o uso adequado dele. Mas eu tenho esperanças de mudar meus hábitos ruins.”

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Reajuste

A assessoria de imprensa da Telefônica diz que a empresa não se manifesta sobre o assunto porque os reajustes são definidos pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A agência reguladora toma as decisões com base nos pedidos de homologação de reajuste das tarifas feitos pelas empresas atuantes no setor. As alterações de tarifas não podem ser feitas em período inferior a 12 meses.

Para conceder os atuais reajustes - conforme publicado no Diário Oficial da União (DOU) -, a Anatel levou em conta a variação de 5,07% do Índice dos Serviços de Telecomunicações (IST), que passou a corrigir as tarifas em 2006 no lugar do IGP-DI. Sobre este índice foi aplicado um redutor de produtividade de 3,9%.

Por ora, a agência não autorizou o reajuste para ligações feitas de telefone fixo para celular. A decisão é inédita, pois as tarifas de ligações entre telefones fixos e móveis sempre foram reajustadas junto com as chamadas de fixo para fixo.