O trânsito de veículos pesados no Centro de Bauru está prestes a ser regulamentado. Quando o decreto for baixado, além da ‘área azul’, voltada aos condutores de veículos de passeio, a cidade contará também com ‘área marrom’. Quando for implementada, pelo menos os motoristas de caminhão que fazem entregas na região comercial mais antiga da cidade terão de pagar para descarregar. O valor do cartão ainda não foi definido.
O projeto, elaborado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), sairá do papel somente depois de ser apresentado e discutido com os setores produtivos envolvidos e interessados. A expectativa é que sejam convidados para uma reunião ainda nesta semana. Já concluída, a proposta pode ser alterada desde que as contribuições sejam técnicas, adverte o presidente da Emdurb, Rubito Ribeiro.
“Vamos abordar tecnicamente o assunto. Não aceitaremos paixões. Não vamos defender nenhum lado. Queremos organizar e modernizar o trânsito em benefício de todos”, reitera ele. Na última quinta-feira, acompanhado por técnicos de fora da cidade e da Emdurb, Rubito rodou pelo município para analisar o problema. Esteve ladeado pelos vereadores Moisés Rossi (PPS) e José Roberto Segalla (DEM). O demista anunciou publicamente que discutia o assunto. Participou de várias reuniões balizadas pelo tema.
Desrespeito
Com o estacionamento rotativo para caminhões, a idéia é evitar abusos relatados à Emdurb e constatados, inclusive, pela reportagem. Alguns motoristas deixam veículos grandes em área de carga e descarga e saem a pé pelo Centro para resolver problemas pessoais. A situação prejudica quem precisa descarregar mercadorias e tem outros compromissos agendados.
“Hoje eles não pagam nada. Ainda não sabemos quantos caminhões passam pelo Centro, mas são muitos porque o comércio central é pujante”, explica Rubito. Implementada, a ‘área marrom’ não permitirá que um mesmo condutor compre, por exemplo, dez cartões e deixe o veículo parado por horas numa vaga de carga e descarga. A restrição de uma hora dará oportunidade para o estacionamento de outros caminhões.
Conforme o JC verificou, alguns deles circulam várias vezes pelo Centro até conseguirem vaga. Prejudicam o tráfego de veículos de passeio e comprometem até o benefício da ‘onda verde’ implementada em algumas vias para facilitar o tráfego. Com a ‘onda verde’, a de 30 quilômetros por hora, o motorista passa por vários semáforos abertos.
“Também é uma questão de segurança (para condutores de caminhões e pedestres)”, acrescenta o presidente da Emdurb. Ele não permitiu que o JC tivesse acesso ao projeto. Antes, quer discuti-lo com segmentos envolvidos.
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Logística de Bauru não pode ser afetada
A característica logística de Bauru não pode ser afetada pelo projeto que visa regulamentar o tráfego de caminhões em Bauru, defende o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Domingos Malandrino. “Sou favorável a tudo o que é bem discutido. Os pontos de vista devem ser esgotados. Acho uma discussão saudável. Desde que seja ampla, aberta para que depois as entidades constituídas não tenham que correr atrás”, afirma.
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Níveis de restrição
O projeto elaborado pela Emdurb, a ser apresentado aos segmentos envolvidos, prevê três níveis de restrição para estacionamento de caminhões em Bauru. É como se do Centro da cidade irradiassem três grandes circunferências. Numa delas haverá restrição. Na outra, a limitação será parcial. A terceira área será livre. As restrições levarão em consideração questões como tipo de carga, tamanho do veículo e horários, por exemplo.
“A área três incluirá todos os distritos industriais. Não dá para impedir o tráfego de caminhões”, informa o presidente da Emdurb, Rubito Ribeiro. Ele ressaltou em várias oportunidades não ter intenção de criar um ‘monstro’ para quem opera na cidade. Demonstrou preocupação, inclusive, em estabelecer horários para carga e descarga no Centro - critério comum adotado em vários municípios, alguns menores que Bauru - como Jaú e Marília.
“Às vezes a mercadoria vem de fora. Não é sempre que chega naquele horário. Temos de discutir”, reitera. Quando o texto for aprovado e finalizado, o Executivo baixará decreto a ser publicado no Diário Oficial do Município (DOM).
Em vários municípios, inclusive próximos como Marília e Jaú, a carga e descarga de caminhões respeita horários. “Estabelecendo horário é possível liberar essas áreas que estão reservadas o dia inteiro para estacionamento rotativo”, avalia o vereador José Roberto Segalla (DEM), que participa das discussões junto à Emdurb.
“O projeto foi apresentado ao prefeito Rodrigo Agostinho que, num primeiro momento, gostou. Agora ele tem que ser discutido com entidades envolvidas para que a gente minimize problemas de rejeição”, comenta.
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‘Bandeira’ do Conseg
A regulamentação do tráfego de caminhões na região central é uma antiga ‘bandeira’ do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro/Sul, informa o presidente da entidade, Olavo Pelegrina Júnior. O assunto foi colocado em pauta na última reunião realizada na semana passada.
“Bauru cresceu, não podemos mais fugir dessa questão. Não somos mais uma cidade pequena. Alguns segmentos devem contribuir com a alteração de seu modo de trabalho para que a coletividade ganhe. As entregas que são feitas durante todo o dia, deverão ser feitas em horário diferenciado. Certamente é um sacrifício para o comércio, mas a coletividade responderá melhor porque não haverá congestionamento na área central”, defende.
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Manutenção da Rodrigues
A ‘sofrível’ avenida Rodrigues Alves certamente teria uma pavimentação menos ruim, caso o tráfego de caminhões pesados fosse proibido. Neste caso, também é indiscutível que o trânsito melhoraria. Mas para onde o tráfego seria desviado? Eis um questionamento e uma preocupação levantada pelo titular da Secretaria Municipal de Obras, Eliseu Areco Neto.
“Temos que pensar um pouco mais ampliado. As vias onde esses caminhões vão passar estão preparadas para receber mais carga que a Rodrigues? Tem que estudar antes quais serão as ruas, que tipo de pavimento têm, quanto vão receber de carga adicional. Essa é minha postura, pelo menos inicialmente”, adverte o secretário.
Na avaliação dele, o ideal é analisar bons exemplos já implementados há bastante tempo. “Alguns anos atrás, diziam que o terminal urbano de passageiro era uma solução definitiva. Hoje sabemos que não funciona a contento. Traz uma série de infortúnios à cidade”, exemplifica.
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CDL cobra fiscalização rigorosa dos veículos
A circulação de veículos na região central de Bauru seria facilitada se os agentes de trânsito (azuizinhos) fossem mais rigorosos com os motoristas que deixam o veículo estacionado o dia todo. A avaliação é de Sérgio Evandro do Amaral Motta, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL).
Segundo ele, um levantamento chegou a identificar entre 70 e 80 veículos nesta situação. “O levantamento é da própria Emdurb. Ficavam constantemente, do início da manhã até o comércio fechar”.
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Atrasada
O fato de Bauru não contar com terminal de cargas, nem corredor de circulação para caminhões e ônibus, a coloca numa situação atrasada frente a outras cidades, na opinião do presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte de Bauru e Região (Sindtran), José Rodrigues. Ele defende, no entanto, discussão sobre a intenção da administração municipal em regulamentar o trânsito de caminhões.
“Não fizemos um debate. A gente nem tinha essa informação (sobre o projeto da Emdurb). Várias cidades pequenas já têm horário para carga e descarga. Mas aqui tudo vai depender, também, do comerciante. Tem que conversar, ver o que é bom e o que não é”, comenta. Ele demonstra preocupação, por exemplo, com os veículos que levam material até a estação ferroviária.
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Na avaliação da PM, é possível melhorar trânsito na área central
O tráfego da região central de Bauru não está esgotado, também não é um caos, mas dá para melhorar. É assim que pensa o capitão da Polícia Militar Jorge Luís Dias.
“Dá para melhorar bastante principalmente nas vias como Ezequiel Ramos, Presidente Kennedy, Rodrigues Alves e 15 de Novembro. Os veículos de grande porte têm uma dificuldade maior de conversão. A própria Emdurb tem desenvolvido um trabalho muito forte no sentido de melhorar a fluidez. A ‘onda verde’ ajuda”, informa o capitão.
De acordo com ele, muitas vezes a própria ‘onda verde’ é prejudicada por conta da circulação de veículos grandes e pesados. “Já houve uma reunião na Emdurb para tratar desse assunto (projeto elaborado). Enquanto PM, a gente observa que a cidade realmente carece de uma regulamentação no que tange a carga e descarga de caminhões. Está havendo dificuldade em razão desses caminhões”, admite.
Muitos condutores permanecem longos períodos circulando na área central justamente porque não encontram vaga para descarregar. “Teriam que limitar horário de carga e descarga, fora do horário comercial. As empresas vão ter que se adequar, como em outras cidades. Quem trabalha no ramo já sabe que não pode ir a qualquer hora do dia. Como Bauru não tem regulamentação, eles vêm”, analisa Dias.
Ele explica que as multas lavradas contra tais motoristas não são muitas justamente porque eles ficam rodando pelas ruas até encontrarem local para estacionar.
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Não é difícil rodar no Centro, diz Cássio
Na opinião do presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, não é difícil rodar pelo Centro. “No horário de pico tem um certo fluxo. A demanda de veículos é muito maior, aí complica um pouco. De resto, está em ordem”. Para ele, a regulamentação do trânsito de caminhões não é um tema urgente.