09 de julho de 2026
Internacional

Bird calcula pacote de US$ 475 bilhões para defender o clima


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Nova York - O combate e a adaptação às mudanças climáticas se tornaram parte obrigatória de qualquer plano de desenvolvimento. E custarão, no Terceiro Mundo, US$ 475 bilhões por ano nos próximos 20 anos, segundo um relatório do Banco Mundial divulgado ontem. É a primeira vez que o tema do aquecimento global aparece como assunto principal do “World Development Report”, uma espécie de guia anual publicado pelo Bird desde 1978.

O relatório vem num momento estratégico, a três meses da conferência da ONU em Copenhague, que forjará o novo acordo de proteção ao clima, e a oito dias do encontro do G20 que debaterá o assunto. Segundo o documento, os efeitos da mudança climática - mais tempestades, secas e ondas de calor -, que já acontecem e tendem a se agravar, tornam mais difícil a tarefa de aliviar a pobreza, pois “drenam recursos do desenvolvimento” e aumentam o preço da comida.

“Países em desenvolvimento são afetados desproporcionalmente pela mudança climática - uma crise que eles não produziram e para a qual não estão preparados”, disse o presidente do banco, Robert Zoellick. É nesses países, como o Brasil, que está o potencial de corte de emissões com menor custo.

Mas esse corte terá de ser financiado pelos países ricos, diz o banco. E aqui há uma lacuna: hoje, ações de adaptação e de mitigação (redução de emissões) no Terceiro Mundo têm US$ 10 bilhões por ano. Mas o relatório estima que serão necessários US$ 400 bilhões por ano para a mitigação e US$ 75 bilhões para a adaptação.

Álcool brasileiro

Outra lacuna apontada é a do desenvolvimento de tecnologias de energia limpa. Elas são vistas como a principal arma para impedir que o aquecimento global fique muito acima de 2C até 2100.

Aqui, mais uma vez, a responsabilidade é dos países ricos, não só de investir em tecnologia e na sua transferência às nações pobres, mas também de derrubar tarifas a essas tecnologias quando desenvolvidas a baixo custo no Terceiro Mundo. O álcool brasileiro é citado.

“Os subsídios dos países desenvolvidos a seus biocombustíveis foram de US$ 11 bilhões em 2006. Como resultado, não se fazem investimentos nos países onde a tecnologia tem uma melhor relação custo/benefício. O Brasil, o produtor de etanol a custo mais baixo, viu um crescimento modesto de 6% na sua produção de etanol entre 2004 e 2005, enquanto os EUA e a Alemanha tiveram crescimentos de 20% e 50% (...)’’, conclui o Bird, pedindo menos tarifas.