Lins - A associação entre o gigante mundial do setor de carnes JBS-Friboi e o grupo Bertin (dono das marcas Vigor e Leco), além da compra da norte-americana do setor de frango Pilgrim’s Pride, uma das maiores do setor nos Estados Unidos, anunciada anteontem, é considerada pela prefeitura de Lins (102 quilômetros de Bauru) uma possibilidade de novos investimentos para o município.
A unificação das operações das duas empresas prevê a criação de uma sociedade do tipo holding (denominada por enquanto como Nova Holding), formada pela totalidade das ações da primeira mais 73,1% do capital social da segunda. Dessa forma, a Nova Holding será a acionista controladora tanto da JBS quanto da Bertin.
Na opinião do secretário municipal de Desenvolvimento Sustentado de Lins, Israel Antônio Alfonso, os investimentos que vêm sendo feitos pelo grupo Bertin na cidade deverão ser ampliados com o anúncio da associação entre a empresa e a JBS-Friboi. “Eu não senti, em momento algum, durante toda essa fase de conversa, nenhum abalo com relação aos investimentos do grupo aqui. O que pode acontecer é uma ampliação do trabalho deles aqui porque agora vem a Friboi junto”, acredita. “Até mesmo porque, em uma negociação dessas, não entra o grupo todo, apenas uma parte que é a S/A”.
Para justificar seu otimismo, o secretário explica que o grupo Bertin possui uma gama bastante diversificada de produtos. “Eles produzem desde colágeno até sapatos de segurança para o exército e a indústria, produtos para cachorro, latas para embalagens de alimento, sabonetes, detergente. Dificilmente isso vai ser afetado com essa negociação”, avalia. “Por essa diversificação de produtos, eu não tenho receio de que a cidade venha a sofrer alguma coisa traumática com relação a isso”.
Alfonso revela que, a partir de agora, as duas empresas começam a discutir como irá funcionar a estrutura administrativa dessa holding que, segundo ele, tem como objetivo a formação de um grande aglomerado para concorrência no mercado externo. Entre os principais investimentos feitos pelo grupo Bertin em Lins, explica o secretário, estão a recente implantação de uma usina produtora de energia elétrica através da queima de bagaço de cana no município e a abertura de um acesso entre a empresa e a rodovia Marechal Rondon.
Além disso, segundo ele, a empresa também está à frente do lançamento de um loteamento residencial fechado na cidade, da ampliação de uma grande rede hoteleira, do plantio de diversas mudas de árvores em parques lineares e áreas de recuperação de mata ciliar e da construção de um novo empreendimento do ramo de hotelaria, previsto para ser inaugurado em novembro.
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Concorrentes perplexos
A iniciativa da JBS Friboi de comprar parcela da Pilgrim’s Pride dos EUA e de se associar ao Frigorífico Bertin deixou os concorrentes frigoríficos e os produtores atônitos. Para o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, se disse exatamente “perplexo”. “Vai surgir uma megaempresa, com a qual será difícil competir”, disse ele, que representa pequenos e médios frigoríficos do País.
De acordo com Salazar, a nova empresa, a maior companhia de proteínas do mundo, “terá poder para influenciar os mercados de boi gordo e de carne bovina, podendo distorcer os preços”. “A situação vai ficar muito difícil para o pecuarista, para os pequenos e médios frigoríficos e também para o varejo da carne. Quanto a isso não há dúvidas”, garantiu.
Ele acrescentou que há risco de formação de cartel, com os grandes concorrentes fazendo acordo para fixar preços e dividir mercados. “A concentração do setor caminha para isso (cartel)”, comentou Salazar, ressaltando a recente compra da Seara pelo Frigorífico Marfrig.
Outra grande empresa do setor, o Frigorífico Minerva, aparece como alvo de aquisição. O presidente da Abrafrigo declarou que o governo tem parcela de responsabilidade na concentração do setor de frigoríficos, porque as fusões e aquisições foram estimuladas pelo Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Célia Froufe e Tomas Okuda