10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Na falta de troco, comércio vai à igreja

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Quem nunca passou pela dúvida de aceitar ou não uma bala como troco no lugar dos centavos, ou mesmo arredondar o valor e ter que pagar mais pela mercadoria? A falta de troco no comércio é um problema tanto para os lojistas quanto para os consumidores.

De um lado, o varejo reivindica a circulação do dinheiro e o próprio Banco Central tem promovido campanhas para as moedas “aparecerem”. Por outro lado, grande parte dos cidadãos adora um cofrinho, está sempre juntando moedas e dificultando o troco no comércio. Em Bauru, para driblar a falta de moedas em circulação no mercado, comerciantes estão recorrendo às igrejas, que sempre têm pequenos valores em seus cofres.

Há alguns meses, a Catedral do Divino Espírito Santo tem sido a “salvação” de muitos comerciantes da região do Calçadão da Batista de Carvalho. Padre Marcos Pavan conta que a igreja recebe diariamente doações em todos os valores de moedas, inclusive de R$ 0,01.

“Recebemos nos cofres que ficam espalhados pela igreja e também durante a coleta das celebrações. Antigamente, a gente levava as moedas direto para o banco, para depósito. Agora os comerciantes descobriram que a igreja é uma receptora de moedas”, conta.

“Os comerciantes que nos procuram, pedem para a secretária separar o valor de que precisam e buscam em outro horário. Para nós, não faz diferença moeda ou dinheiro. Então, estamos prontos para ajudar os comerciantes”, acrescenta o padre.

Banco Central

Cássio Carvalho, presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), conta que o principal problema com a falta de troco ocorre nos estabelecimentos que comercializam produtos mais baratos. “Há dois anos nos reunimos como o Banco Central para tentar sanar o problema da falta de circulação de moedas. Eles estão fazendo uma ação para recolocá-las em circulação”, revela.

“Outro grande problema que enfrentamos é o desaparecimento das notas de R$ 1,00. Pedimos para voltar, mas para o governo é mais barato a confecção de moedas do que de cédulas. Mas as moedas de R$ 1,00 ficam esquecidas e não são usadas pelos consumidores”, acrescenta.

Segundo Carvalho, a cultura dos brasileiros de não valorizar o dinheiro é uma das principais responsáveis pela falta de moeda no mercado. “Os consumidores não ligam de ficar sem troco ou receber uma bala ao invés da moeda. O brasileiro não valoriza o dinheiro”, opina.

Em uma loja de variedades no Calçadão da Batista de Carvalho, a falta de moedas de R$ 0,01 fez o comerciante adotar a bala como troco. “A maioria dos nossos produtos tem valores que terminam em R$ 0,99. Então, para não deixar o cliente de mãos abanando, damos de troco a bala”, diz José Carlos Zarantine. “Para nós é prejuízo, pois damos uma bala como troco de R$ 0,01. O custo da bala para a gente é de aproximadamente R$ 0,03”, complementa.

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No ônibus

Outro setor que sempre precisa de troco é o de transporte coletivo. Em Bauru, motoristas e cobradores não têm enfrentado problemas com a falta de moedas. Talvez o valor da tarifa em R$ 2,15 tenha ajudado.

Por meio da assessoria de imprensa, a Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) informou que até o momento as empresas não tiveram problemas com a falta de troco, porque a maioria dos usuários paga a passagem com o cartão. Além disso, quem paga em dinheiro tem levado os R$ 0,15 na carteira.

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Brasileiros têm prejuízo de R$ 350 milhões ao ano

Uma pesquisa coordenada pelo professor de finanças públicas da Universidade de Brasília (UnB), José Matias Pereira mostra que os brasileiros têm prejuízo de aproximadamente R$ 350 milhões por ano devido ao problema da falta de troco. A perda de dinheiro por pessoa é em média de R$ 2,00 por ano, sendo menor para quem usa cartões e cheques nas transações.

Além disso, o número de pessoas que fazem circular dinheiro em espécie e moedas no Brasil é de cerca de 170 milhões. A pesquisa foi realizada pela Internet e por meio da aplicação de questionários em pontos públicos da cidade de Brasília, há um mês.