Conectar os 645 municípios do Estado em banda larga gratuita com a rede mundial de computadores até o final de 2010. Esta é a ousada meta do Programa ‘Acessa SP’, que expande seus postos em progressão geométrica e passa a atingir, já neste semestre, a zona rural em alguns dos mais remotos rincões paulistas.
O mutirão de implantação de novas bases vai consumir, de imediato, R$ 3 milhões em investimentos, além dos R$ 7 milhões já programados para o ano. A concepção e execução estão a cargo da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp).
Os números do programa são superlativos. Desde seu lançamento, em 2000, foram 40 milhões de atendimentos e 1,7 milhão de internautas cadastrados. Já estão em operação 503 unidades, em 444 municípios, com 3.890 computadores e 945 monitores.
Funciona assim: ao chegar ao posto, o usuário tem o acesso gratuito em alta velocidade em um período de 30 minutos. O uso é ilimitado. Ao término deste tempo, basta retirar uma nova senha e aguardar a vez de retornar ao micro.
O objetivo, além de romper as fronteiras das novas tecnologias para quem não possui computador plugado à rede, é fazer a ‘ponte’ do conceito de inclusão digital para a inclusão social.
“No passado, qual era a política pública: era fazer inclusão digital. Era o acesso à máquina, o conceito era esse. Hoje o conceito é acesso ao conhecimento. Passou a ser um programa de inclusão social. Você tem condições de aumentar a empregabilidade, de capacitação à distância, de ensino de línguas. Enfim, a Internet abre as portas para o mundo”, afirma Alexandre Araújo, diretor de Serviços ao Cidadão da Prodesp.
Em entrevista à Associação Paulista de Jornais, ele alerta que a capilaridade do ‘Acessa SP’ depende vitalmente das parcerias com as prefeituras, que cedem imóveis e monitores para o funcionamento destas espécies de ‘lan-houses’ oficiais.
“Ao manifestar o desejo de receber, a prefeitura assina convênio se comprometendo a ceder um imóvel onde caiba uma média de 10, 12 máquinas, a arcar com o monitor. E energia elétrica. O Estado, por contrapartida, entra com a capacitação deste monitor. Que é feita permanentemente. Entramos com o link de banda larga, a aquisição de todo o equipamento e o mobiliário, a instalação de infraestrutura lógica e elétrica, a impressora e todos os insumos.”
O treinamento dos monitores é feito pela Escola do Futuro, da Universidade de São Paulo.
Segundo o dirigente da Prodesp, a escolha dos prédios e a legalização da transferência são alguns dos entraves que impedem que o processo de montagem de novos núcleos ganhe celeridade.
“Conseguimos desenvolver um método rápido de fazer levantamento, checagem, avaliação dos locais. É uma meta atingir cobertura total em 2010. Temos uma série de desafios, mas é factível. É prencer as questões burocráticas. Você tem que receber o imóvel e isso, às vezes, é moroso. Há um passo que a gente tem que dar até a assinatura do convênio que exige um rito legal. Em alguns lugares, a gente perde um pouco mais de tempo.”
Para Araújo, todavia, os obstáculos não assustam e ocorrem na minoria dos casos. “Cada cidade tem seu problema, mas a gente consegue levar aos municípios o nosso modelo. Destes 110 que estamos implantando neste momento, só em cinco estamos tendo problema. A margem é pequena.”
Inclusão
O diretor da Prodesp destaca a importância de se levar a quem navega a mensagem que o acesso à internet vai além do lazer e representa uma senha para um universo de oportunidades de aprendizado em múltiplas plataformas e inserção no mercado de trabalho. “Queremos dizer ao usuário que ele pode ter seu Orkut, seu e-mail, mas é muito mais que isso. O internauta pode fazer projeto comunitário, pode fazer seu empreendimento individual. Tem escritórios virtuais para vendedores de seguros, vendedoras de cosméticos porta a porta. Vão lá passar as vendas, acompanhar preços, produzir relatórios”, afirma.
O objetivo do programa, sustenta o governo, é prioritariamente garantir o uso da internet para a população mais carente, mas a pujança do ‘Acessa SP’ acaba por torná-lo heterogêneo em seu público.
“O governo entende que o acesso, neste aspecto da inclusão social, é uma política pública principalmente a quem não tem condições de pagar pelo uso. Mas também para aquele que tem internet e precisa usar. A política é para todos. O governo acredita que passa a ajudar mais aquele que precisa. Quem sabe um dia ele tenha condições de ter esta internet em casa. Enquanto houver este problema, o Estado tem trabalhado para dar condições iguais a todos. Este é o espírito que nos guia.”
Cronograma
O cronograma de instalação obedece a critérios estabelecidos pelo governo, como carência de acesso e demanda local.
“Qual é a nossa prioridade? Atender primeiro as cidades que ainda não têm. Nesta escala de prioridades, o item 2 é que a gente instale postos em grandes fluxos de pessoas. E o passo seguinte é aumentar a quantidade de postos em municípios de médio porte.”
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Acesso sem fio ainda é tabu no Estado
Embora o Estado prometa interligar todas as cidades com a rede mundial de computadores por meio de postos de acesso avançado em banda larga, ainda não há prognóstico para a adoção de internet sem fio gratuita com recursos públicos.
“Existem várias discussões no Estado com relação à disponibilização destas tecnologias. Mas há uma série de opções que variam de acordo com a característica de cada cidade. Embora alguns municípios já tenham conseguido implantar, o Estado ainda discute como pode induzir isso. Não temos política pública formulada para o processo Wi-Fi, por exemplo. É preciso verificar todas as variáveis”, afirma Alexandre Araújo, diretor de Serviços ao Cidadão da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo).
Além de transpor barreiras físicas, o acesso sem fio permitiria a conexão de aparelhos de telefonia móvel, computadores portáteis e demais utensílios que dispõem de roteadores integrados.
No Estado de São Paulo, todavia, a implantação de redes gratuitas se limita a algumas prefeituras, que mantêm contratos com empresas especializadas - especialmente as estâncias turísticas de serra e litoral, que recorrem ao expediente nas altas temporadas.
Segundo o dirigente da Prodesp, pelo Acessa SP, é possível identificar um perfil de uso relacionado com os estudos.
“Pelas pesquisas que fazemos, 84% têm até 29 anos. A maior parte está dentro dos 16 a 24, idade escolar. 48% deles vão lá fazer pesquisa escolar, quase metade do total. A prioridade um é pesquisa. Depois, é ver Orkut, e-mail. Estamos tentando sugerir que se aumente o acesso ao e-gov (governo eletrônico). Tem mais de 2.000 serviços públicos via internet. O cidadão pode tirar atestado de antecedentes, segunda via de contas, ver nota de aluno da rede pública. Estamos mostrando que o E-gov está ali, na cara dele. Ele precisa usar”, diz Araújo.
Os monitores estão capacitados a induzir este tipo de acesso. “A gente vai acompanhando para ver se a política nossa está dando certo. Tem um contingente que diz que economizou dinheiro usando o e-gov. Temos estimulado muito novos usos da internet. A gente quer conduzir isso para complementação de estudos, alfabetização, é um dos grandes desafios.”