08 de julho de 2026
Internacional

Pleito pode dar nova coalizão a Merkel


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Berlim - Quando os alemães saírem para votar nas eleições parlamentares do próximo fim de semana, a escolha que farão não será tanto quem será o chefe de governo, mas com quem e com que tendência ele governará. Na verdade, ela.

Angela Merkel, chanceler (premiê) desde 2005, lidera as pesquisas, 11 pontos à frente de seu rival e atual ministro das Relações Exteriores, o social-democrata Frank-Walter Steinmeier. Para um jornal alemão, só perde se for filmada roubando um supermercado.

A ampla vantagem, porém, não lhe garante hoje a configuração de governo que deseja. Após uma coalizão de quatro anos com o Partido Social-Democrata (SPD), Merkel deixou claro que prefere uma aliança entre sua União Democrata Cristã (CDU, conservadora) com o Partido Democrata Liberal (FDP, de direita). Assim, espera passar reformas econômicas que a associação com os social-democratas impede.

“Para preservar e aumentar nossa prosperidade, precisamos de políticas orientadas ao crescimento’’, disse Merkel em ato de campanha ontem. “Podemos implementar essa política com mais determinação em um novo governo.’’

Mas o que parecia assegurado nas pesquisas de duas semanas atrás hoje é incerto - e pode forçar Merkel e SPD a manterem a atual coalizão. Juntos, cristão-democratas e liberais computam hoje 49% na corrida ao Bundestag (a Câmara baixa do Parlamento). São só três pontos de vantagem sobre os outros três maiores partidos somados (SPD, Verdes e A Esquerda) - uma vantagem débil levando-se em conta os 45% que, segundo as sondagens, se dizem indecisos.

Houve quem interpretasse esses números como uma possibilidade de coalizão de três partidos -quebrando 60 anos de tradição bipartidária. A mais provável é a “Coalizão Jamaica’’, assim chamada porque as cores dos partidos (CDU, FDP e Verdes) imitam a bandeira do país caribenho. Cenário menos provável é a “Coalizão Semáforo’’: SPD (vermelho), FDP (amarelo) e Verdes. Nos dois cenários, os Verdes têm papel determinante.

O sistema alemão tem a particularidade de que as coalizões são definidas após as eleições, depois de calculadas a representação de cada partido segundo as listas proporcionais. A diferença é que antes os alinhamentos eram mais óbvios, e o voto, mais uniforme.

“Há 15 anos, as pessoas votavam por tradição, sindicalistas sempre com o SPD, católicos sempre com a CDU. Hoje, a sociedade alemã não é mais claramente estratificada e identificável’’, afirma Peter Fischer-Bollin, diretor no Brasil da Fundação Konrad Adenauer, ligada à CDU.

“Há menos católicos, há menos sindicatos fortes. E há mais pessoas frustradas e descontentes com as reformas consideradas neoliberais do governo Gerhard Schröder", avalia Fischer-Bollin.

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Campanha do Valium

Berlim - A questão principal da eleição alemão é como os indecisos se posicionarão - e mesmo se irão votar. Tampouco ajudou o tom da campanha. Com os dois principais adversários dentro do mesmo governo, faltou agressividade. Jornais alemães chegaram a falar na “campanha do Valium’’ (pelo poder de fazer dormir).

Por isso, a possibilidade de repeteco da grande coalizão é vista com reserva por analistas. Para os social-democratas, tampouco é o melhor resultado.

“Nossa opção preferida seria um governo com os verdes’’, disse Niels Annen, deputado do SPD. “A grande coalizão não foi um mau governo. Mas não podemos esquecer que social-democratas e cristão-democratas são os dois grandes adversários na política alemã. Por isso, apesar do bom trabalho, a social-democracia não está muito contente.’’