Além de se dedicarem à ampliação da área de visitação, diretores, funcionários e colaboradores do Jardim Botânico Municipal de Bauru também mostram que estão de olho no futuro. O exemplo concreto dessa preocupação está nas pesquisas e na preservação do viveiro de mudas, que recebe atenção especial de todos no local. Ali, diversas plantas de espécies raras são cultivadas e, dessa forma, têm a sua existência garantida.
O espaço conhecido como Arboreto, destinado à preservação de árvores nativas, por exemplo, já conta com a 33 espécies e a previsão é de que sua coleção seja ampliada a cada ano. De acordo com o engenheiro agrônomo Luiz Carlos de Almeida Neto, que dirige o local há 12 anos, cerca de 50 espécies estão sendo cultivadas e em breve deverão passar a fazer parte da coleção.
Em uma estufa, milhares de sementes são germinadas e garantem grande diversidade de plantas, que no futuro poderão ser apreciadas pelo Jardim Botânico. Outra pesquisa em andamento é comandada pelo pequisador Marcos Vinícius. Ele trabalha com a horticultura in vitro de orquídeas. Com toda a aparelhagem necessária, o pesquisador pretende cultivar a planta com mais qualidade e ter a sua germinação em um tempo menor, aumentando sua produção.
Essa e outras pesquisas reforçam que a função do Jardim Botânico vai além de ser um espaço contemplativo aberto à visitação pública. O parque é, de acordo com Almeida Neto, um espaço que investe na conservação, daí a importância da atuação dos pesquisadores.
Dentro dessa perspectiva, a educação ambiental também é vista como uma das ferramentas mais eficazes para conservação da flora e mata nativa. Apesar disso, conta o administrador, muitos visitantes insistem em danificar as árvores, escrevendo seus nomes nos troncos, apenas para marcar a data de sua passagem pelo local ou para fazer uma declaração de amor para alguém.
O exemplo está nos bambus, que estão cheios de recados deixados pelos visitantes. O problema é tão grande que a direção teve que espalhar pelo jardim diversas placas alertando para a proibição de se escrever nas árvores.
Paralelo a esse trabalho e às pesquisas e formação de mudas nativas que compõem a fauna regional, o Jardim Botânico Municipal de Bauru também investe na coleta e armazenamento de dados vegetais das plantas.
Para tanto, um Herbário foi montado no local. O catálogo é formado pelas plantas existentes na área, que têm exemplares coletados, desidratados e catalogados. A bióloga responsável pelo trabalho, Natália Cristina Venâncio, é quem realiza todo o processo.
Os dados sobre a diversidade vegetal existente em um herbário, explica Almeida Neto, podem colaborar com a recuperação da vegetação das paisagens degradadas e servir como um incremento à resistência de pragas, além de contribuir para o melhoramento vegetal. “O herbário é nosso banco de dados vegetal”, afirma.
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Beleza das coleções de plantas encanta
Visitar o Jardim Botânico Municipal de Bauru e não se encantar com a beleza das coleções existentes no local é praticamente impossível. Só o Orquidário possui 107 espécies de orquídeas nativas e exóticas, que possuem uma beleza rara. São dezenas de vasos e, devido à variedade e quantidade de espécies, é possível encontrar exemplares com flores o ano todo.
A coleção de bromélias ainda é pequena e soma 20 espécies, mas também deverá crescer e assim ganhar um espaço só seu dentro do Jardim Botânico. As espécies de samambaias somam, no momento, 69 variedades.
Além disso, o Jardim Botânico mantém espaço reservado para conservação de plantas medicinais. De acordo com o gestor do local, a intenção de se manter um espaço com plantas medicinais não é dizer quais são as suas indicações, mas preservá-las.
O local também possui um Arboreto, que deverá ser ampliado e uma área de lazer cercada por plantações de bambus, que proporciona aos visitantes um sensação agradável.
Como o Jardim Botânico de Bauru é órgão municipal, mantido pela administração municipal, fica impedido de comercializar mudas de árvores ou flores, por exemplo, mas a Associação Amigos do Jardim Botânico (AAJB), criada há três anos para levantar fundos para investimentos no local, é quem fica responsável por essa comercialização.
Atualmente, apenas é possível adquirir mudas de árvores, mas, no futuro, orquídeas, bromélias e samambaias poderão ser encontradas para à compra.
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Atividades botânicas surgiram antes da criação do órgão
A história do Jardim Botânico Municipal de Bauru começou muito antes da sua inauguração, em março de 1994. Foi na sua área, na primeira metade do século passado, que a cidade encontrou uma nova fonte de abastecimento de água. O local, então, recebeu o nome de “Vargem Limpa”. Na década de 40, a captação de água no local foi substituída pela feita até hoje no rio Batalha.
Luiz Carlos de Almeida Neto, administrador do Jardim Botânico, conta que área ficou praticamente esquecida até o final da década de 70, quando a administração da época teve a iniciativa de transformar o local em um parque.
Mas a iniciativa se concretizou apenas em 1988, quando foi criado o Parque Ecológico Tenrry Cidade Irmã. Seis anos mais tarde, já desenvolvendo algumas atividades ligadas a jardins botânicos, como a coleção de orquídeas e o trabalho de educação ambiental, o então diretor, Marcelo Ongáro Pinheiro, decidiu propor a transformação do parque em Jardim Botânico.
A idéia foi levada até o secretário municipal do Meio Ambiente da época, Clodoaldo Armando Gazzeta, que entregou o projeto ao prefeito Antônio Tidei de Lima. O chefe do Executivo local aceitou a proposta e, em 4 de março do mesmo ano, por meio da lei municipal número 3.684, o espaço foi oficialmente transformado em Jardim Botânico Municipal de Bauru.
Almeida Neto explica que, de lá para cá, muito trabalho já foi realizado e que agora, com a expansão do local em andamento, o jardim poderá, enfim, convidar a população que ainda não o conhece para visitá-lo sem medo de fazer feio.