09 de julho de 2026
Articulistas

O Caminho das Índias e a realidade

Celenita Coelho
| Tempo de leitura: 2 min

Vinte e uma horas, todos a postos, ajeitados no sofá da sala, esperando atentamente o final da novela, quem acompanhou, e quem não acompanhou também estava curiosos. Bom acho que é cultural porque novela é novela, esperávamos o final de sempre, igual a várias outros que já vimos, onde o casal principal se ama, se adora, durante a trama, se separa por forças maiores, se odeiam, se reencontram, se amam e acabam juntos em um belo casório com os casais secundários esperando bebê. Os maus são castigados e pagam por seus pecados. Os que não pagam, se arrependem e buscam conserto. E, nós que assistimos, vibramos, torcemos, porque, muitas vezes, em nossas vidas não conseguimos esses feitos e nos sentimos refeitos a partir desses jogos psicológicos, pois há quem inverta papéis e faça da fantasia uma realidade interior.

No entanto, o que vimos foi o mal triunfar e os vilões saírem, de certa forma, vitoriosos. Os bem intencionados serem enganados, os invejosos não receberem suas pagas, nem suas mentiras foram desmascaradas. O adultério foi uma frivolidade a mais! O mal não foi convertido em bem ou simplesmente foi subjugado por este. Escritores e cineastas, prioritariamente, têm se decidido por mostrar, cada vez mais, enredos em que, no final, o mocinho morre, o casal não consegue se ajustar, o ladrão escapa da polícia. Enfim, desfechos contrários aos que se vinham usando predominantemente no passado.

Se, aparentemente, isto denota a vitória do mal, do negativo, da anticultura, saiba que não. O que decorre deste surto de moral deturpada é, surpreendentemente, uma visão mais realista da humanidade para com a sua própria realidade. E é justamente aí que o mundo começa a pensar mais e a lutar mais por sua liberdade de expressão. A nós, telespectadores, cabe desenvolver uma atitude questionadora que nos faça refletir sobre o final que desejamos, não para a fantasia, mas para a realidade na qual atuamos.

Só uma atitude é capaz de vencer o mal: a prática do bem. Para se conseguir o bem da paz é necessário afirmar, com consciente lucidez, que a violência é um mal inaceitável e que nunca resolve os problemas e as angústias humanas. “Vencei o mal com o bem”. É o conselho bíblico.

A autora, Celenita Coelho, é integrante da Comunidade Bom Pastor, membro do Conselho Municipal Antidrogas, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, do Conselho Municipal de Assistência Social e presidente da Comissão de Erradicação do Trabalho Infantil