Muitos bauruenses já incorporaram ações ambientalmente positivas no dia-a-dia. Uso racional da energia elétrica, reaproveitamento de água e a separação do lixo reciclável são exemplos da mudança de comportamento em muitos lares da cidade. Mas é difícil encontrar quem deixe o carro na garagem pensando no benefício do meio ambiente. Comodidade, falta de linhas e horários de ônibus coletivo, sol forte ou chuva são os fatores que levam o bauruense a sair de casa de carro. Hoje é comemorado o Dia Mundial Sem Carro e a Prefeitura vai dar exemplo. Secretários e membros do Gabinete, incluindo o prefeito Rodrigo Agostinho, vão ao trabalho usando meios alternativos.
Além deles, foi difícil para a reportagem encontrar alguém que vai aderir ao movimento e evitar usar carro hoje. Muitas pessoas afirmaram que, se chover - a previsão é de dia nublado e pancadas de chuva -, não terão como sair de bicicleta ou pegar ônibus. Outras pontuaram que não há oferta de linhas de transporte coletivo, nem horários para os locais que precisam.
A jornalista Katarini Miguel, do Instituto Ambiental Vidágua, avalia que o que leva os bauruenses a não usar o veículo não são os benefícios ao meio ambiente. “Não deixam o carro em casa para economizar o dinheiro da gasolina. E ninguém compra um carro pensando se ele polui menos. O aspecto que prevalece é o econômico”, diz.
Para ela, se a cidade tivesse mais linhas do transporte coletivo, a adesão ao sistema público seria maior. “O transporte público não é tão eficiente em Bauru. A maioria das pessoas que usa ônibus é porque não tem outro meio”, pondera. Além disso, Katarini observa que a frota da cidade só tem aumentado. “Muitos afirmam que é uma questão de independência ter um carro. Além disso, com as facilidades de compra, cada vez mais pessoas estão adquirindo seus veículos”, afirma.
Para a jornalista Ana Ferreira, ficar sem o carro, dependendo somente do sistema de transporte público de Bauru, ainda não é viável. “Trabalho em pontos extremos da cidade, com horários bastante variados. Não tenho como fazer tudo sem carro”, diz. Porém, ela traça estratégias para não ter que circular tanto. “Procuro fazer um roteiro para evitar idas e vindas. Concentrar atividades em horários próximos em lugares perto uns dos outros”, explica.
Ela afirma que em seu apartamento procura lavar a roupa na véspera da faxina para reutilizar a água da máquina de lavar. Também faz a separação do lixo e não usa mais sacolas plásticas em suas compras. Mas confessa que manter o carro na garagem ainda é difícil. “Se pudesse, faria meus trajetos a pé. Mas a cidade não tem um transporte público com oferta ampla de horários e não posso ficar esperando em ponto de ônibus”, diz.
Bicicleta
O prefeito Rodrigo Agostinho anunciou que vai pedalando para o trabalho hoje. Também convocou secretários e membros do Gabinete a aderir ao movimento do Dia Mundial Sem Carros. Mas para o professor Fábio Eduardo da Silva, 32 anos, todo dia é dia sem carro. Há 12 anos ele prefere se locomover de bicicleta e só recorre ao automóvel em situações emergenciais e quando o tempo não colabora.
“Uso a bicicleta no meu dia-a-dia desde 2002. Como trabalho mais em casa, uso a bicicleta para ir ao banco, supermercados, ao Centro”, conta o morador da Vila Pacífico. “Carro só quando chove ou em situações de extrema necessidade”, pontua.
Ele afirma que as pessoas se surpreendem por sua escolha e relata até preconceito. “Muitos têm a visão de que quem anda de bicicleta é pobre, inculto. Pelo contrário, ressalta que é rico de espírito”, afirma. “Você chega nos lugares de bicicleta e as pessoas ficam te medindo. Ir contra a massa é complicado”, avalia.
Para Silva, a cidade precisa oferecer mais condições para o uso de bicicletas, que ele defende como um transporte sustentável. Por isso, apóia as propostas de implantação de ciclofaixas e ciclovias pela cidade, defendidas pelo vereador Fernando Mantovani (PSDB).
Porém, apesar de destacar o benefício do meio de transporte, ele reconhece que há muitos problemas. Além de desrespeito dos motoristas, ele explica que faltam locais adequados para estacionar bicicletas. “No Centro, dependo de loja de amigos. E nos bancos, depois de muita conversa, consegui autorização para estacioná-la dentro da agência”, diz.