09 de julho de 2026
Internacional

Milhares vão às ruas em apoio a Zelaya

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Tegucigalpa - Num dia em que os hondurenhos aproveitaram uma breve suspensão do toque de recolher para esvaziar estantes de supermercados. A polícia disse que multidões saquearam lojas nas ruas vazias na noite de terça-feira. A Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, que há três dias abriga o presidente deposto, Manuel Zelaya, e dezenas de apoiadores , teve a segurança ainda mais reforçada pelos militares, fiéis ao governo interino.

Pouco depois, uma camionete negra carregada de alimentos comprados pela família de Zelaya. Havia caixas de água, de Coca-Cola e de cereais, dezenas de sanduíches prontos e até um liquidificador novo, entre outros itens.

Todas as caixas foram cuidadosamente revisadas. O momento mais tenso ocorreu quando um militar encontrou, em meio à comida, dois protetores de ouvido parecidos aos usados em aeroportos - nas duas primeiras noites, as forças de segurança colocaram música em volume alto diante da embaixada.

Uma marcha com alguns milhares de manifestantes pró-Zelaya inicialmente dirigida à embaixada brasileira foi desviada até a região do Parque Central. No final, policiais usaram gás lacrimogêneo e deram tiros para o alto contra um pequeno grupo de militantes. Não houve feridos graves.

Como precaução, a quadra onde está a embaixada foi fechada ontem com uma grade móvel. A segurança foi reforçada por dezenas de militares - a maioria se dispersou no fim do dia.

Manifestante morto

Agências internacionais noticiaram que um manifestante pró-Zelaya de 64 anos havia sido morto anteontem à noite durante confrontos com a polícia. O governo interino, de Roberto Micheletti, negou e informou que foram registrados 23 feridos até ontem à tarde em todo o país.

Em vigor desde segunda-feira, a suspensão de toque de queda entre as 10h e 17h gerou uma intensa corrida aos supermercados e postos de gasolina. A compra desenfreada fez com que vários produtos sumissem no final do dia.

____________________

Presidente interino cobra definição do Brasil

Tegucigalpa - O governo interino de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, pediu ao Brasil que defina a situação do presidente deposto, Manuel Zelaya.

Segundo informações do jornal colombiano “El Tiempo”, Micheletti quer que o Brasil entregue Zelaya à justiça hondurenha ou conceda asilo.

Zelaya está na embaixada brasileira com cerca de cem pessoas, incluindo apenas quatro funcionários da diplomacia brasileira. Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, a alimentação está sendo fornecida com regularidade, por representantes da ONU (Organização das Nações Unidas).

O fornecimento de água e luz foi restabelecido, mas o funcionamento dos telefones continua intermitente. A organização e limpeza das dependências da embaixada é feita pelas próprias pessoas que lá estão.

De acordo com o 22º artigo da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, os locais das Missões Diplomáticas (embaixadas e edifícios anexos) são invioláveis. Os agentes do estado acreditado (que recebe a embaixada) não podem penetrar neles sem o consentimento do chefe da missão.

____________________

Lula exige na ONU a restituição de Zelaya

Nova York - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem no discurso de abertura da 64ª Assembleia Geral da ONU que o retorno imediato do presidente deposto Manuel Zelaya ao governo em Honduras é uma exigência de toda a comunidade internacional.

Segundo Lula, sem vontade política continuarão a proliferar golpes de Estado como o que ocorreu em Honduras. O presidente chamou a atenção dos chefes de Estado sobre a situação da embaixada brasileira em Tegucigalpa, que chegou a ter o fornecimento de água e luz cortados. Zelaya está abrigado no local desde segunda.

“A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a presidência de seu país e deve estar atenta à inviolabilidade da missão diplomática brasileira na capital hondurenha”, disse. Após mencionar Honduras, Lula foi aplaudido na reunião.

Palanque

Lula disse ontem que, caso o governo golpista insista em conduzir as eleições em novembro, o resultado não será respeitado pela comunidade internacional. O presidente afirmou que o governo brasileiro não vai responder à solicitação de Honduras para que seja esclarecida a situação de Zelaya no país porque trata-se de um “governo de golpistas”.

Questionado sobre se Zelaya poderia usar a embaixada brasileira como palanque para manifestações políticas, Lula disse que a presença dele no país pode levar os golpistas a iniciar um processo de negociação. “Não sei se ele está convocando comício. Obviamente que não está lá escondido embaixo da cama”, disse.

Lula marcou uma conversa sobre a situação de Honduras com o presidente dos EUA, Barack Obama, na reunião do G20, que começa hoje em Pittsburgh. Eles se encontraram rapidamente durante o jantar de encerramento de reunião climática na ONU ontem.