Nova York - Os EUA mudaram, e seu novo presidente quer que o mundo saiba disso. Num discurso histórico por marcar uma ruptura com um passado muito recente e amplamente criticado, Barack Obama fez de sua primeira participação na Assembléia Geral da ONU, ontem, um chamado para o que definiu de “nova era de engajamento”, que seja “baseada em interesses e respeito mútuos”.
“Nós atingimos um momento fundamental”, disse Obama. “Os EUA estão prontos a começar um novo capítulo de cooperação internacional, que reconheça os direitos e responsabilidades de todas as nações.” Afirmou que era hora de mudar, sugeriu que os tempos eram de multilateralismo e indicou que entendia críticas feitas a seu país no passado.
“Nenhuma nação pode ou deve tentar dominar outra nação”, disse. “Nenhuma ordem mundial que eleve uma nação ou grupo sobre outra vai ser bem-sucedida.” Em passagem que lembrou o discurso de 2004 que o lançaria no cenário político nacional, disse que são necessárias “novas coalizões que ultrapassem velhas divisões - de diferentes fés e credos; de norte e sul, leste e oeste; negros, brancos e marrons”.
Obama disse que assumiu o poder numa época em que muitos no mundo viam os EUA com ceticismo e desconfiança. Parte do problema, disse, era devido a desinformação e conceitos errados; parte, pela percepção de que, em questões críticas, o país agiu unilateralmente; parte, pelo que chamou de “antiamericanismo reflexo”.
“Como todos vocês, minha responsabilidade é agir em interesse de minha nação e de meu povo, e eu nunca vou me desculpar por defender esses interesses”, afirmou. “Mas é minha crença profunda que nesse ano, mais do que em qualquer outro da história, os interesses das nações e das pessoas é compartilhado.”
As palavras contrastam com as do antecessor, George W. Bush, que via a ONU como um entrave aos interesses americanos e, na véspera da invasão ao Iraque, disse que a entidade corria o risco de se tornar irrelevante. Obama procurou se distanciar dele, dizendo que o país pagara sua dívida com a organização e entrara no Conselho de Direitos Humanos, duas queixas antigas da ONU.
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Aplausos após críticas a Israel
Novo York - Na ONU, Obama disse que não irá aceitar a legitimidade de colônias israelenses estabelecidas em territórios palestinos. “Continuamos enfatizando que os EUA não aceitam a legitimidade das prolongadas colônias israelenses”, ressaltou Obama, arrancando aplausos em seu primeiro discurso perante a Assembléia Geral da ONU
“É hora de reiniciar as negociações sem pré-condições e tratar de questões permanentes: a segurança para israelenses e palestinos, fronteiras, refugiados e Jerusalém. A meta é clara: dois Estados vivendo lado a lado em paz e segurança”, disse.
O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, comemorou o discurso de Obama, por causa da referência ao Estado como “judaico”. Nos comentários, entretanto, o israelense não abordou a crítica inquestionável às colônias que Israel mantém nos territórios palestinos.
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Kadafi critica grandes potências na sua estréia
Nova York - O ditador da Líbia, Muammar Kaddafi, afirmou em seu primeiro discurso perante à Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) que “65 guerras” ocorreram desde a criação do órgão mundial, o que prova que seus princípios de fundação foram traídos.
Kaddafi, que está há 40 anos no poder, fez um discurso duro contra as grandes potências e principalmente contra os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - Reino Unido, França, Estados Unidos, China e Rússia - a quem acusou de trair os preceitos da ONU.
“O preâmbulo diz que todas as nações são iguais sejam pequenas ou grandes”, disse Kaddafi , que recebeu tímidos aplausos. Lendo uma cópia da carta de criação da ONU, Kaddafi afirmou que “o veto é contra a carta, nós não aceitamos e não reconhecemos (o veto)’’.
“O poder de veto deveria ser anulado”, disse Kaddafi . A Líbia tem uma cadeira temporária no Conselho de Segurança - o mais importante órgão da ONU - até o final de 2010. “O Conselho de Segurança não nos deu segurança, somente terror e sanções”, disse.