10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Mesmo sem greve, correspondências atrasam em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Embora a greve dos funcionários dos Correios tenha terminado em Bauru no último sábado, a paralisação ainda mantida em 24 dos 34 sindicatos da categoria espalhados por todo o País tem provocado atrasos no recebimento de correspondências na cidade. As agências da empresa consultadas pela reportagem também informam que as postagens enviadas daqui para outras localidades não tem prazo certo para chegar ao destino.

“Elas podem ficar paradas em São Paulo, onde a greve continua”, afirma uma funcionária de uma das unidades locais, que preferiu não ter o nome divulgado. Sob a condição de manter a identidade preservada, ela confirmou que o movimento de clientes no estabelecimento caiu consideravelmente nos últimos dias.

“Principalmente aqueles que precisam enviar uma correspondência com prazo determinado estão desistindo de usar as agências e buscando outras formas de realizar a entrega. Mas quem não tem pressa continua usando o serviço normalmente”, afirma.

Segundo a assessoria de imprensa da estatal, as agências estão funcionando normalmente, mas estão suspensos os serviços de entrega rápida Sedex 10, Sedex Hoje, Sedex Mundi e Disque-Coleta. Os serviços de Sedex tradicional não foram paralisados, mas assim como as postagens simples, não há como garantir que cheguem dentro do tempo esperado.

Ainda de acordo com a empresa, não há estimativas de quanto a greve pode ter prejudicado o movimento de correspondências e encomendas em Bauru, mas o volume de carga com atraso na Diretoria Regional de São Paulo Interior já é de 5,7 milhões de objetos postais. Em todo o País, serão entregues fora do prazo esperado aproximadamente 392 mil encomendas e 46,7 milhões de correspondências.

Proposta

Até o momento, apenas dez dos 34 sindicatos dos Correios que entraram em greve na semana passada aceitaram a proposta de reajuste da companhia e voltaram a trabalhar. Além de Bauru, retomaram as atividades os funcionários da Bahia, Rio Grande do Norte, Santa Maria (RS), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Santos (SP) e Juiz de Fora (MG).

“Quem tiver de enviar ou receber correspondências que tenham de passar por agências de qualquer outra cidade que ainda esteja parada, certamente terá problemas. E os Correios já estão alertando que não arcarão com eventuais indenizações por atrasos”, frisa outra funcionária de uma agência em Bauru. No entanto, segundo adianta a assessoria de imprensa da empresa, o movimento grevista vem perdendo força nos últimos dias e o atual índice de adesão não passa de 10% dos 109 mil empregados em todo o País.

Amanhã, na sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST), será realizada a primeira audiência de conciliação e instrução do dissídio coletivo da categoria. A intenção é que sindicatos e empresa cheguem a um acordo que ponha fim à paralisação.

A proposta dos Correios prevê, além do reajuste salarial de 9% retroativo a agosto deste ano, R$ 100,00 de aumento linear a partir de janeiro de 2010 e reajuste dos valores de benefícios como vale-alimentação, vale-cesta e auxílio-creche. A categoria pede reajuste de 41,03%, aumento de R$ 300,00, reposição da inflação e contratações.