09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Semana começará com greve nos bancos

Por Tisa Moraes | Com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Como as negociações entre bancos e funcionários não avançaram, a próxima semana começará com greve em grande parte das instituições financeiras públicas e privadas da cidade. De acordo com o balanço divulgado pelo sindicato, o segundo dia de greve dos bancários de Bauru, ontem, foi encerrado com 64,6% das agências fechadas.

Do total de 48 unidades existentes, 31 paralisaram suas atividades e a expectativa é que os números se mantenham pelo menos até segunda-feira. “A intransigência dos bancos continua e, ao que nos parece, os banqueiros estão apostando na nossa incapacidade de nos mantermos mobilizados”, avalia o diretor do sindicato da categoria em Bauru Marcos Lenharo.

Até as 16h de ontem, haviam aderido à greve todas as unidades do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal (CEF), HSBC, Mercantil, Safra e Unibanco. Aderiram parcialmente os bancos Itaú (que segue com as agências dos Altos e Centro fechadas), Nossa Caixa (com apenas a unidade do Fórum aberta) e Santander/Real (que permanece somente com a agência da avenida Duque de Caxias em funcionamento). Ainda resistem ao movimento o Bradesco e o Banco Rural.

Braços cruzados

De acordo com informações do Sindicato dos Bancários, 920 dos 1.030 funcionários já cruzaram os braços em Bauru. “Como temos este final de semana pela frente, nosso trabalho prioritário será, pelo menos, manter o mesmo nível de adesão na próxima segunda-feira”, frisa Lenharo.

Na região, até ontem, as agências da CEF e Nossa Caixa de Lençóis Paulista, Banco do Brasil, CEF, HSBC, Itaú e Santander de Santa Cruz do Rio Pardo e CEF de Avaré, Fartura e Agudos também haviam suspendido suas atividades. Segundo informações da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), a paralisação deixou, ontem, 2.881 agências fechadas em todo o País.

De acordo com Lenharo, o comando de greve ainda aguarda uma nova proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A entidade, por sua vez, já adiantou que ainda não recebeu contraproposta oficial dos sindicatos e espera manifestação da categoria para dar prosseguimento às negociações.

As principais cláusulas econômicas reivindicadas são 30% de reajuste salarial (referente à inflação do último ano, mais reposição das perdas salariais desde 1994) e que a participação nos lucros e resultados (PLR) seja de 25% do lucro líquido dos bancos distribuída de forma linear a todos os trabalhadores, além de parcela adicional. Além disso, os bancários também solicitam contratação de mais funcionários, fim de metas abusivas e proteção ao emprego em casos de fusões.

Até agora, os bancos ofereceram reajuste de 4,5% nos vencimentos e participação nos lucros de 4%, acrescida de um valor fixo de R$ 1.500,00. Não há novas rodadas de negociação agendadas, mas os trabalhadores realizam nova assembléia na tarde de segunda-feira para avaliar e determinar os rumos do movimento.

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Fenaban e Ibedec orientam como proceder na greve

A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), “braço” sindical da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), avalia que a automatização dos serviços bancários reduzirá os transtornos causados aos clientes pela greve bancária. Por meio de sua assessoria de imprensa, a entidade destaca que, em caso de agências fechadas, a maioria das transações bancárias pode ser realizada por telefone, Internet, terminais eletrônicos e correspondentes não bancários como casas lotéricas, farmácias, agências dos correios, redes de supermercados e outros estabelecimentos comerciais credenciados para o recebimento de contas.

Conforme lembra a federação, os bancos oferecem também serviços de débito automático para pagamento de contas de consumo (como água, energia elétrica e telefone, por exemplo), além de realizar transações por meio de Internet banking e mobile banking (operações por meio de celulares).

Assim como esses canais, os serviços de compensação de cheques, transferência de recursos via Documento de Ordem de Crédito (DOC) ou Transferência Eletrônica Disponível (TED), o recolhimento de depósitos, pagamentos e saques nos caixas eletrônicos continuam funcionando normalmente.

Vale lembrar que alguns serviços que requerem a presença do cliente na agência bancária, como saque com cheque e pagamento de boleto vencido, não podem ser efetuados sem a intermediação de um funcionário.

Como o serviço bancário é considerado atividade essencial pela lei de greve, o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), José Geraldo Tardin, alerta que a paralisação dos trabalhadores não pode deixar os consumidores sem opções para efetuarem suas operações.

No entanto, caso outro local for disponibilizado para que o consumidor liquide uma fatura, boleto bancário ou qualquer outro tipo de cobrança, não há como se isentar do pagamento, mesmo diante de greve. Ainda segundo Tardin, se o fornecedor não disponibilizar ou dificultar o acesso a outro local de pagamento, o consumidor deve documentar essa tentativa de quitação do débito junto ao Procon.