Pittsburgh - EUA, França e Reino Unido acusaram ontem o Irã de construir secretamente uma segunda usina de enriquecimento de urânio, sob uma montanha na cidade sagrada xiita de Qom (sul de Teerã), e de esconder por anos o projeto das inspeções nucleares internacionais.
Ante a revelação, as potências ocidentais exortaram Teerã a expor em detalhes o seu programa nuclear, sobre o qual recai a suspeita de visar a bomba atômica - o que o Irã nega.
Ao lado do premiê britânico, Gordon Brown, e do presidente francês, Nicolas Sarkozy, o presidente dos EUA, Barack Obama, interrompeu pela manhã de ontem o início da reunião de cúpula do G20, em Pittsburgh, para soltar um comunicado fazendo a revelação e incitando o Irã a “assumir suas obrigações” perante a comunidade internacional.
“O tamanho e a configuração desta usina não são consistentes com um programa pacífico”, disse Obama.
Irã convoca inspeção
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou ontem que Estados Unidos, Reino Unido e França “se arrependerão” de terem acusado o Irã de esconder uma planta nuclear. Em Nova York, o iraniano afirmou que o local “não é secreto” e que não tem medo de uma inspeção no local. “Não temos nenhum problema em que haja inspeções das instalações. Não temos medo.”
Lula acredita no Irã
O presidente Lula disse que “não tem por que duvidar” de que o programa nuclear do Irã seja para fins pacíficos, conforme assegurado a ele em encontro com Mahmoud Ahmadinejad nesta semana. “Entre insinuações e suposições e o que o presidente me falou, vou ter em conta que o presidente não mentiria para mim’’, acrescentou.
“É preciso tomar cuidado. No caso do Iraque, fizeram a guerra dizendo que o país tinha armas de destruição em massa, e até agora elas não foram apresentadas”, disse Lula.