Certamente você já achou graça ao ouvir marmanjos falando como crianças quando se dirigem a bebês. Mas já notou como a entonação da sua voz muda ao falar com essas criaturinhas fofas?
Frases do tipo: “Que coisa mais fooooofa e mais liiiiiindaaaa”!, com musicalidade na entonação e acompanhadas de olhos arregalados e gestos exagerados, são alterações que acontecem de modo espontâneo, quase sem perceber, quando um adulto está diante de um bebê, seja um filho ou não.
Foi pensando no quase inevitável “babytalk” - aquele jeitinho típico de falar com bebês cheio de biquinhos, caretas e tom de voz alterado que a maioria dos adultos costuma usar para chamar a atenção dos pequenos – que a psicóloga e pesquisadora bauruense Mônica Valentim lançou a segunda edição do livro “Por que falamos como bebês quando falamos com bebês?”, pela editora carioca Idéia Pop.
De acordo com Valentim, isso acontece porque, de maneira intuitiva, os adultos tentam chamar a atenção dos bebês. “E isso realmente funciona. Basta observar a reação dos pequenos quando usamos o babytalk e quando falamos “normal” com eles. Ouvindo o jeito babytalk, os bebês identificam mais rápido que a fala é direcionada a eles”, explica a autora, cujo livro é resultado de sua dissertação de mestrado sobre o tema.
A explicação da pesquisadora para o uso do babytalk é simples. Ela aponta o processo evolutivo do ser humano como uma das razões, e isso se evidencia no fato da existência dessa diferenciação estar nos quatro cantos do mundo e em todas as línguas. Depois, vem o lado cultural, em que o convívio e o costume fortalecem o hábito saudável de falar de maneira diferente com os bebês.
Na prática, a explicação da psicóloga é percebida pela professora Keila Cristina Armando de Moraes. Ela é mãe de Heitor Ulisses, de 1 ano e 7 meses, e afirma que, quando conversa de maneira mansa e usando as palavras no diminutivo, o filho rapidamente presta atenção no que ela diz e sorri. “Dirijo-me a ele como ‘amorzinho’ e ‘principezinho’ e ele me dá aquele sorrisão e vem me abraçando”, diz a mamãe.
Tatibitate
Keila confessa que, embora sinta muita vontade de exagerar nas palavras com “inho”, tenta se policiar por acreditar que isso possa influenciar negativamente a fala do filho. Muitas pessoas avaliam que falar no diminutivo pode atrapalhar o desenvolvimento das crianças. O que, na opinião da pesquisadora Mônica Valentim, não é verdade.
O que pode, realmente, fazer com que os pequeninos encontrem dificuldades em falar corretamente é o ‘tatibitate’, hábito que alguns adultos têm em trocar as letras para falar com crianças pequenas e, assim, pronunciar as palavras de forma errada. “Com o ‘tatibitate’, o que já é comum na aquisição da fala pode tornar-se mais freqüente e difícil de ser corrigido”, aponta a psicóloga.
Em outro parâmetro, o babytalk, por ser uma entonação mais carinhosa e lenta das palavras, apresenta musicalidade e tem a característica de ser mais delicado. Como reflexo, acaba ajudando no aprendizado da língua do bebê.
“O uso exagerado dos contornos da fala pode tornar a construção gramatical mais evidente para os bebês e isso ajuda na aprendizagem. Esse pode ser definido como o maior benefício do uso do babytalk”, afirma.
Mas até quando adotar o babytalk? Segundo a pesquisadora, isso vai se perdendo naturalmente com o tempo, à medida que a criança cresce. Portanto, solte todo o seu carinho e amor por meio das palavras com essas coisinhas fofas que são os bebês sem medo de prejudicá-los. Afinal, eles são lindiiiiiinhos mesmo.
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Entre os animais
Um fato curioso acontece entre os sagüis. Eles, como outros animais, têm um chamado especial para os filhotes. O som é mais forte, diferente do usado para a comunicação com adultos, de acordo com a psicóloga Mônica Valentim, autora do livro “Por que falamos como bebês quando falamos com bebês?”.
O que chama a atenção da pesquisadora é que os sagüis usam esse mesmo tipo de entonação na hora de namorar, assim como os humanos. Quem nunca disse ‘meu amorzinho’ ou ‘meu bebê’ quando apaixonado? Isso também é babytalk.