Às vezes o homem sente-se de tal modo despojado de seus valores, anula-se de tal forma, que só pode estar ouvindo o silêncio de Deus. Os grandes santos ouviram-no. São João da Cruz fala na noite escura da alma. O próprio Cristo retirou-se para o deserto, ao iniciar o seu ministério, para ouvir o silêncio do Pai. É quando nada mais é possível, somente mesmo o êxtase, a contemplação de Deus.
Mas estou aqui para contar aos meus amigos do livro de poesia que estou lançando. Adivinharam o título? Isso mesmo: O Silêncio de Deus. Que não é uma tese, uma pesquisa para se provar algum argumento. Escrevo para criar uma forma artística, o poema. Por que, então, O Silêncio de Deus? Por causa da minha condição humana. Meus olhos são cegos para ver o mistério. Escrevo para vislumbrá-lo. O prazer estético está muito próximo do êxtase.
O Luiz Vitor Martinello escreveu um ensaio muito generoso sobre a minha poesia, porque é meu amigo, mas também soube captar o que há por trás ou por dentro do que escrevo: a ânsia de transcendência. A poesia tem esse poder maravilhoso de levar-nos a transcender a pobre realidade em que vivemos. Os ateus apenas não sabem (ou não querem admitir) que o nome do transcendente a que chegam com a poesia é Deus.
Repito que não faço poesia para provar coisa alguma. Apenas exploro a perplexidade humana diante da beleza e do efêmero. Vou publicar, nos próximos meses, sob patrocínio da Lei de Estímulo à Cultura, de Bauru, um livro de poemas que mostra a integração do homem com a terra, as plantas, os animais. Pretendo dar um banho de natureza no leitor. Ensinar a amar o meio ambiente, nosso domicílio.
O Silêncio de Deus estou lançando pela internet, com impressão sob demanda, um tipo de edição que chegou ao Brasil somente este ano. Quem quiser adquirir um exemplar, basta fazer o pedido que o seu livro será impresso em São Paulo e, dentro de 5 a 10 dias, o receberá pelo correio. O grande problema da poesia é a falta de divulgação. Com este método, os livros serão bem divulgados em blogs e sites. Estou escrevendo aqui porque há muitos amigos que não vejo há tempos, mas acompanham o que escrevo pelo JC. Quem estiver interessado em conhecer mais, acesse o meu blog: www.poesiacronica.blogspot.com.
José Carlos Mendes Brandão - membro da Academia Bauruense de Letras