A forte queda do dólar nas últimas semanas está movimentando as agências de intercâmbio de Bauru. Proprietários e gerentes dessas empresas garantem que a procura tem aumentado e que muitos bauruenses estão fazendo ou retomando os planos de viajar e estudar no Exterior para aproveitar a baixa da moeda.
“As empresas americanas estão voltando a contratar após a crise, o que faz com que os estudantes que querer ir para o Exterior tenham onde trabalhar. Coisa que não acontecia há três meses. Além disso, a questão do dólar é bastante clara. A gente percebe que é uma das coisas que estão movimentando novamente o mercado de intercâmbio”, alega Antonio Eufrásio de Toledo Neto, proprietário de uma agência de intercâmbio.
Natália Lopes Mondelli, gerente de vendas de outra empresa do ramo, acredita que a proximidade do final do ano também colabora para o crescimento da venda dos pacotes. “Tivemos uma aumento das vendas nas últimas semanas, não somente pela queda do dólar, mas também por fatores como a sazonalidade. As vendas realmente aumentam nesse período do ano. Com a queda do dólar, o nossa empresa registrou um aumento de 10% da procura por cursos no Exterior”, comenta.
Luiz Henrique do Carmo, diretor de outra agência, considera que a diminuição dos casos de gripe suína - influenza A (H1N1) também deram uma ajuda para o setor. “Com a gripe suína a gente teve uma queda nas vendas, agora as pessoas estão voltando. Acho que o pessoal só adiou os planos porque hoje em dia o intercâmbio é um investimento”, diz.
A cotação do dólar influencia diretamente o preço de viagens para o Exterior não só pelos gastos que o viajante terá no outro país, mas também pela compra dos serviços, uma vez que os preços dos pacotes são definidos na moeda americana e convertidos para reais no momento da assinatura do contrato.
Leandro Douglas Lopes, de 23 anos, decidiu fazer um tour de 35 dias pela Europa nos próximos meses graças à baixa da moeda americana. “Embora lá a moeda seja o euro, reservas de hotéis, passagens e voucher estão atrelados ao dólar. Por isso, fiquei atento à cotação e ela foi um dos motivos para eu decidir fazer a viagem neste momento”, relata.
Ele conta inclusive que ia sozinho, mas duas amigas decidiram acompanhá-lo quando souberam do preço. “Percebi que com a queda do dólar as pessoas aderiram mais às viagens ao Exterior. As minhas duas amigas acabaram decidindo ir porque a viagem ficou mais barata”, diz Leandro.
O estudante Renato Carvalho de Oliveira, de 19 anos, que voltou em agosto de um intercâmbio de um mês em Toronto, no Canadá, conta que, embora a moeda esteja com um preço melhor, é preciso estar atento e tomar alguns cuidados ao viajar.
“Eu pensei um pouco na cotação do dólar antes de viajar e dei sorte que o valor estava baixo quando fui. Mas eu me preveni e comprei os dólares antes de viajar para não ter problemas, além disso, não usei o cartão de crédito lá”, conta.
O cartão de crédito realmente pode ser uma armadilha neste tipo de viagem. A fatura normalmente considera o valor do dólar na data do seu fechamento e não na da compra, assim, o viajante pode ter uma grande surpresa na hora que receber a conta em seu país de origem.
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Preços e vantagens
Há diversos tipos de intercâmbio, mas o mais procurado em Bauru, segundo proprietários de agências, é o destinado ao aprendizado de idiomas. Embora haja muita sazonalidade neste setor, as empresas enviam em média 20 pessoas para o Exterior todos os meses. A alta das vendas fica nos meses de julho, dezembro e janeiro, época das férias escolares.
Os destinos mais procurados pelos bauruenses são Estados Unidos e Canadá. Um intercâmbio de um mês para estes países, incluindo curso de inglês, hospedagem em casa de família com duas refeições, passagem e visto, sai em média por US$ 2.300,00. As agências calculam que o estudante deve levar, pelo menos, mais US$ 700 para despesas extras.
Segundo Luiz Henrique do Carmo, diretor de uma empresa do setor, a grande vantagem desse tipo de viagem é a rapidez no aprendizado de outro idioma. “A pessoa aprende a língua o mais rápido possível. Uma semana de estudos lá (no Exterior) equivale a 4 meses aqui”, pondera.
Renato Carvalho de Oliveira, que acabou de voltar do Canadá, garante que as vantagens vão mais além. “Aprendi muita coisa boa, conheci muita gente de culturas diferentes. Você fica longe de casa e com isso tem que se virar sozinho. Quanto ao idioma, não tem como fugir, você começa a pensar naquela língua e aprende mesmo”, diz.
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Oscilação da moeda
Na quinta-feira passada, o dólar comercial teve a menor cotação em relação ao real em mais de um ano. No dia 24 de setembro, a moeda foi vendida por R$ 1,787, em um decréscimo de 0,61% sobre a cotação final do dia anterior. Esta foi a menor taxa de fechamento desde 12 de setembro de 2008. Na data, os preços da moeda americana oscilaram entre R$ 1,801 e R$ 1,782.
A queda acumulada na cotação da moeda em relação do real neste ano já é maior da história, com perda de 18,52%, segundo levantamento da consultoria Economática feito em julho.
De acordo com a pesquisa, a maior queda anterior havia sido registrada em 2003, quando o dólar perdeu 18,23% de seu valor entre janeiro e dezembro. Já em 2008 a moeda se valorizou em 31,94% frente ao real.