08 de julho de 2026
Turismo

Baladas e gente jovem

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

Córdoba é um convite para o turismo de aventura e para noitadas agradáveis. Afinal, a cidade é repleta de universitários, que não dispensam as baladas. E elas acontecem num lugar com nome convidativo: Nueva Córdoba.

O novo bairro, surgido há cerca de dois anos, conta com o Paseo Buen Pastor, lugar perfeito para dias e noites de pura distração. Trata-se, hoje, de um local de onde se tem uma das visões mais belas da cidade, emoldurada por montanhas, mas verde por conta da irrigação, dos lagos e parques.

A exemplo do que vem ocorrendo na Argentina por conta da revitalização de áreas antes degradadas, em Córdoba, ações do gênero deram muito certo. O prédio da antiga cadeia feminina onde, no passado, ficavam enclausuradas as “inimigas” da ditadura militar, se transformou.

Abriga, atualmente, depois de um perfeito projeto de restauração, um complexo de lojas, restaurantes e espaços para exposições. Prova de como com iniciativas voltadas ao bem-estar da comunidade o velho se transforma em coisa útil e dá frutos.

Os estudantes das universidades conceituadas de Córdoba elegeram o bairro de Nueva Córdoba como sua praia. E eles, de cabelos repicados, calças jeans e tênis, são vistos circulando principalmente pelas ruas Rondeau e Larrañaga, que abrigam uma série de bares e pubs imperdíveis.

Nos finais de semana, para quem quer prosseguir na noite, as opções se concentram em Alta Córdoba, Chateau Carreras e Abasto. Ruas pontuadas pelas baladas ou boliches, como são chamadas por lá, que só começam por volta da 1h30.

Assim como ocorre em Buenos Aires, onde a noite é coisa para ser levada a sério, em Córdoba, há, como se vê, boas alternativas de passeio pouco antes do galo da madrugada cantar. É só se enturmar e partir para o abraço.

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O assado argentino

Seja em Córdoba ou em Salta, nos novos e nos velhos bairros, nos centros históricos ou nas fazendas com residências senhoriais de estilo colonial britânico, o que não falta na Argentina é o churrasco.

O assado argentino é alimento fundamental da região Central, Norte e dos Pampas dado o grande número de rezes, seleção de pastos e melhora das raças. Antigamente as rezes eram assadas inteiras num ritual que chegava a durar até dois dias.

Ainda sobrevive o “asado com cuero”, para o qual se enterra um bezerro dividido em pedaços numa vala que tenha sido submetida ao fogo durante algumas horas. Outros sistemas são o “asado a la cruz” ou “la reja”, ambos típicos do campo, e o churrasco. Em qualquer casa, o segredo está em saber cortar a carne e controlar bem o fogo.

As qualidades supremas do “asado argentino” são dadas por certos cortes bovinos (“asado de tira” ou “costelas inteiras, flancos, quadril, acém) e vísceras, que assadas são servidas como “parrilada”, prato que não bate muito com o gosto brasileiro por churrasco e que prefere, isso sim, um belo e substancioso “bife de chouriço”, devidamente acompanhado de papas fritas (batatas).

O argentino faz careta quando se pede carne ‘ao ponto’ e diz que brasileiro não sabe comer churrasco, já que para eles a carne deve ser servida esvaindo-se em sangue. Tostada ou ao ponto é um crime.

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Os doces e os queijos

Além do “asado”, pratica-se também no Centro e no Norte da Argentina a gastronomia internacional. Pratos alemães são largamente encontrados em Villa General Belgrano (Córdoba), frios e queijos à moda de Friuli na colônia agrícola de Caroya (Córdoba), pizza e massas trazidas por imigrantes italianos e especialidades espanholas como tipos variados de arroz e polvo à moda galega.

E para adoçar a boca, os famosos alfajores (bolachas duplas recheadas de doce de leite e cobertas de açúcar ou chocolate) são encontrados por toda parte. Compre várias caixinhas, pois quando retornar ao Brasil a disputa será certa.

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O legado de Che Guevara

Nada como clima seco e ar puro para amenizar os efeitos da asma. Foi isso que a família Guevara ouviu do médico quando Ernestito, então com 4 anos, começou a apresentar os problemas respiratórios que o acompanhariam durante toda a vida. Por isso, em 1932, Ernesto Guevara, o Che, mudou-se com os pais de Buenos Aires para Alta Gracia, a 36 quilômetros de Córdoba.

Em 2001, a ampla casa térrea de estilo inglês, no bairro de Villa Nydia, virou museu. Uma estátua de Che sorrindo, sentado no parapeito do alpendre, dá as boas vindas ao visitante. Por dois pesos (R$ 0,95) é possível percorrer os cômodos, que recriam os ambientes onde o guerrilheiro viveu por 11 anos.

Sobre a cama, livros de aventura e a famigerada bombinha de asma. Quando não podia brincar com os amigos por causa da doença, ele se refugiava na cozinha. As receitas penduradas na parede dão conta de que Ernestito passava horas com a cozinheira Rosarito, recortando receitas para agradá-la.

Muitas fotos da infância, da família e da época de guerrilha estão nas paredes. Dos objetos pessoais, cartas e postais do acervo, dois itens se destacam: as réplicas da bicicleta Garelli motorizada, que Che usou em sua primeira viagem pela América Latina, em 1950, e da moto Norton, igual “A Poderosa 2”, usada por ele e Alberto Granado em 1951, no trajeto que deu origem ao filme “Diários de Motocicleta” (2004), de Walter Salles.

Além de Che, Alta Gracia merece ser visitada pelas construções dos tempos dos jesuítas, que renderam à cidade o título de Patrimônio da Humanidade. O município integra o Caminho das Estâncias Jesuíticas, circuito de 250 quilômetros pelas estradas das Sierras Chicas. A principal atração é o Museu de Alta Gracia, instalado numa casa de 1643. O complexo abriga ainda uma igreja de 1723.