A economia americana ainda patina. Dados do segundo trimestre deste ano apontam para manutenção da recessão nos Estados Unidos, com retração no trimestre de 0,7% se comparado a idêntico período. Essas informações podem gerar certo pessimismo no curto prazo, mas dados preliminares apontam para um terceiro trimestre em recuperação.
Independentemente deste desempenho americano, não há motivos para abalos na economia brasileira. Os números do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro já apontaram crescimento. Além deste aspecto, os chamados fundamentos econômicos brasileiros estão se consolidando.
Em outras palavras: para este ano, as projeções apontam no sentido da recuperação. Isso garante que em 2010 o País manterá o ritmo de crescimento. Até mesmo o péssimo resultado das contas públicas, com queda de 68% no superávit primário, não será capaz de comprometer o otimismo para os próximos meses.
O desafio maior para o Brasil vem depois das eleições. Crescer quer dizer investir em infra-estrutura. E, lamentavelmente, não estamos caminhando na direção de eliminar gargalos. Também tem o aspecto dos gastos públicos. Os novos governantes, da situação ou oposição, terão que enfrentar esta questão. Caso contrário, o ônus para o setor privado será enorme, retardando, entre outras coisas, a queda mais contundente da taxa de juros.
Em resumo: este ano pouca coisa abalará a economia brasileira, até mesmo notícias ruins vindas de fora. O caminho para 2010 está, de alguma maneira alicerçado. Contudo, o grande desafio será manter o crescimento de forma sustentada. Para que isso efetivamente ocorra, pensar em próxima eleição é pouco. Precisamos construir um plano de longo prazo, muito mais como projeto de Estado do que de governo.
O diagnóstico é conhecido, à medida que o Programa de Aceleração no Crescimento (PAC) foi criado neste sentido, mas como tudo no Brasil, em muitos casos, estas ações se perdem na burocracia da máquina pública. É hora de avanços mais firmes, criando condições efetivas para melhorar a qualidade de vida das pessoas.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista e articulista do JC