09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Álcool atinge o maior valor do ano

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Os bauruenses foram surpreendidos nesta semana pela alta dos preços dos combustíveis na maioria dos postos da cidade. Desde quarta-feira, o álcool que era vendido nas bombas pelo valor médio de R$ 1,37 o litro entre os dias 20 e 26 de setembro, segundo informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), passou para R$ 1,59: alta de 16%. A gasolina, encontrada por R$ 2,44 o litro no mesmo período, agora é comercializada por R$ 2,59: aumento de 6%.

Nos dois casos, são os valores mais altos registrado na cidade neste ano. Anterior a esta alta, fevereiro havia sido o mês que registrou o preço mais elevado: o litro da gasolina era vendido por R$ 2,46 e do álcool, por R$ 1,36, de acordo com a ANP.

Segundo o diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Edivaldo Tuschi, os donos de postos apenas repassaram o aumento vindo das distribuidoras.

“Até o próximo dia 5, o álcool vindo das distribuidoras deve ter alta de 8% a 10%. Conseqüentemente, a gasolina também terá reajustes”, afirma. “Queremos informar a sociedade sobre o preço real dos combustíveis. Estamos indignados pela falta de política por parte do governo”, acrescenta.

Wagner Siqueira, também diretor do Sincopetro, conta que há menos de um mês, o álcool era vendido aos postos por R$ 1,00 o litro (preço de custo). Nas bombas, o valor variava de R$ 1,19 a R$ 1,29. “Agora compramos por cerca de R$ 1,25, mas até dia 5 o preço deve passar de R$ 1,30”, revela.

Mais impactos

Outra má notícia é que o impacto no bolso do consumidor pode ser ainda maior nos próximos meses, já que no período de entressafra da cana o valor do álcool é alto. Um levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), revela que o preço cobrado pelo litro nas usinas já é o mais alto das últimas 125 semanas: R$ 0,85 sem impostos. O valor só é menor do que o de 4 de maio de 2007.

“A tendência é uma alta ainda maior, já que foram registradas chuvas atípicas nos últimos meses. No início do ano há o fim da safra, sem contar a questão da deficiência de cana na Índia. Em função disso, pode ser que as usinas estejam produzindo menos álcool e mais açúcar”, conta Tuschi.

Até ontem, os postos de combustíveis pagavam R$ 1,22 pelo litro do álcool da distribuidora Shell, R$ 1,25 da Esso, R$ 1,25 da Petrobras e R$ 1,23 da Ipiranga, segundo notas de compra dos empresários que procuraram o Jornal da Cidade. Esses valores serão reajustados em até 10% até segunda-feira. Atualmente, Bauru tem cerca de 110 postos de combustíveis.

Apesar da alta, o álcool ainda é vantajoso em relação à gasolina. O novo preço (R$ 1,59) representa 62% do valor do litro da gasolina (R$ 2,59) - até 70% o etanol é a opção mais econômica.

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Em menos de 24 horas, postos da cidade têm queda no movimento

Quem abasteceu o veículo ontem levou um susto. “Eu não sabia que ia aumentar, levei um susto. Está muito caro, vamos ter que voltar a andar de bicicleta ou a pé”, diz o administrador de empresas Roberto Max.

Juliano Silva, gerente de um posto no bairro Higienópolis, conta que foi informado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) sobre a alta. “Não fomos pegos de surpresa, já estávamos esperando. Mesmo assim, fomos prejudicados”, afirma. “O aumento para o consumidor foi de aproximadamente R$ 0,20 por litro de combustível. Em menos de 24 horas, já notamos uma queda no movimento”, acrescenta.