08 de julho de 2026
Polícia

Ação no IPA flagra drogas e transfere 75

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O Grupo de Intervenções Rápidas (GIR) da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), com apoio de funcionários da unidade, fizeram uma varredura no Instituto Penal Agrícola (IPA) na manhã de ontem. Foram apreendidos 166 celulares, além de armas e quase dois quilos de maconha. Mais de 30 presos foram mandados para o Centro de Detenção Provisória (CDP), outros 40 foram transferidos para outras unidades de regime semi-aberto. O Jornal da Cidade apurou que a medida foi tomada para desarticular um grupo de presos que estava dominando a unidade. A gota d’água teriam sido agressões contra agentes penitenciários.

Os cerca de 1,2 mil reeducandos do IPA foram acordados por dezenas de agentes do GIR. De acordo com a SAP, a blitz começou às 5h30 e se estendeu até as 11h50. A Polícia Militar (PM) foi acionada para apoiar a operação. De acordo com o capitão Flavio Kitazume, comandante da Força Tática da PM, as viaturas se posicionaram fora da unidade. “Permanecemos no perímetro externo do IPA para evitar fugas e garantir a tranqüilidade da ação”, diz.

Segundo o apurado pela reportagem, todos os alojamentos foram revistados. Além de celulares e acessórios para os telefones móveis, os agentes também encontraram facas, um espeto, uma porção de cocaína e quase dois quilos de maconha. Os cerca de 400 presos que têm autorização para trabalhar fora da unidade foram impedidos de comparecer nos seus empregos. Um empresário conta que levou prejuízo. “Por conta das faltas, não consegui cumprir a entrega de duas grandes encomendas”, afirma.

A SAP não informou o motivo da intervenção, mas fontes ligadas às penitenciárias da cidade informaram que, há algum tempo, um grupo de presos está ganhando força no IPA. Segundo o informado à reportagem, os atos de indisciplina aumentaram consideravelmente. Os presos demonstraram a força do grupo várias vezes. Uma das principais ações contra os agentes era impedir que algum preso fosse retirado dos alojamentos.

“Às vezes, a Justiça determinava a regressão de pena para um presídio fechado. Quando íamos aos alojamentos buscar o preso para apresentar à chefia, os outros presidiários não deixavam”, conta o agente que não se identificou. “O pior é que se a gente não leva o preso, responde uma (medida) disciplinar”, diz.

A insubordinação dos presidiários foi confirmada por outro funcionário. “Os presos ficaram mal-acostumados. Com o passar do tempo, foi crescendo a força deles. Eles não deixavam os agentes entrarem para chamar alguns deles. E essa resistência foi aumentando e ficou difícil para trabalhar”, afirma outro agente que também preferiu não se identificar.

Transferências

A gota d’água foi uma agressão, que teria acontecido terça-feira. Segundo o verificado pela reportagem, após uma discussão, houve troca de chutes e tapas entre agentes penitenciários e presidiários.

Alguns agentes saíram feridos. Para desarticular esse grupo de detentos que estaria dominando o IPA, a SAP realizou a transferência de 40 presidiários. Eles foram redistribuídos em várias unidades de regime semi-aberto.

Outros 35 reeducandos que foram flagrados por indisciplina, com drogas, armas ou celulares na unidade, perderam o benefício de cumprir o restante da pena em regime semi-aberto e foram levados ao CDP.

A informação é que eles retornariam às cadeias públicas de origem. Questionada pelo Jornal da Cidade, a SAP afirma que, por questões de segurança, não dá detalhes sobre a transferência de presos.