11 de julho de 2026
Política

Emergentes turbinam sucessão paulista

Por Fábio Zambeli | Da APJ, especial para o JC
| Tempo de leitura: 4 min

Terminado o prazo estipulado pela Justiça Eleitoral para filiações partidárias, o “zigue-zague” de siglas e a adesão de celebridades aspirantes à carreira política começam a desenhar a sucessão estadual e a montagem de palanques regionais para o Planalto. O horizonte de mudanças de siglas e o ingresso de novos postulantes a cargos em 2010 promete desmontar a polarização PSDB-PT, que se repete na corrida pelo voto em São Paulo há oito anos, abrindo espaço para a pulverização de candidaturas avulsas.

No calendário do voto, hoje, dia 3 de outubro, assinala a data derradeira para que políticos definam por qual agremiação e em que domicílio eleitoral pretendem concorrer a cargos públicos daqui a um ano. Os cartórios eleitorais de Bauru ficarão abertos hoje, das 12h às 18h, em razão disso.

E, na dianteira do processo de absorção de lideranças emergentes, aparecem como “noivas da vez” o PV e o PSB - legendas que buscam deixar a condição de coadjuvantes para assumir o protagonismo da cena paulista.

Como estratégia, ambos adotam a postura de rechaçar as alianças prematuras e fazem planos para alçar vôo solo. “O PV terá candidato próprio ao governo do Estado e ao Senado. Essa decisão está tomada pela executiva estadual e é irreversível. Se quisermos um projeto amplo com a senadora Marina [Silva] disputando a Presidência, não podemos agir diferente em São Paulo”, afirma a presidente estadual do Partido Verde, Regina Gonçalves, que é vereadora em Diadema.

Ela evita falar em nomes, mas admite que o interesse em novas filiações cresceu após o ingresso da senadora e ex-ministra Marina Silva, egressa do PT.

“Está parecendo uma corrida, um leilão. Até o final do prazo, teremos filiações importantes, mas nossa intenção é ter qualidade nos quadros, pessoas que assumam compromissos éticos e com as causas ambientais”, acrescenta Regina.

Já o PSB também festeja a incorporação a seus quadros do “popstar” da Renovação Carismática Católica, escritor e apresentador de TV Gabriel Chalita - que abandonou o ninho tucano (colocando em risco a vereança na Capital) para tentar uma vaga no Senado erguendo a bandeira socialista. Além dele, filiou-se ao PSB o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, pré-candidato a governador em 2010.

“O Chalita nos coloca, obrigatoriamente, na disputa majoritária. Teríamos uma chapa forte de candidatos a deputado, mas agora temos toda a chance de entrarmos na briga pelo Senado e pelo governo do Estado”, afirma o presidente estadual do partido, Márcio França, que é deputado federal.

A legenda ainda especula a improvável participação de Ciro Gomes na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes - manobra que dependeria da sua mudança de domicílio eleitoral até este início de outubro e da sua desistência em pleitear a sucessão de Lula. “Estamos na dependência do Ciro. É natural que ele aguarde um pouco, pois apareceu muito bem nas pesquisas presidenciais”, reitera o dirigente socialista.

O dirigente da mais poderosa entidade empresarial do país, Paulo Skaf, que tem sob sua batuta uma rede de escolas de ensino técnico e profissionalizante de capilaridade invejável, vinha sendo cortejado pelo PR – outra sigla que deixaria a condição de auxiliar secundária no processo eleitoral para gravitar no núcleo do poder.

E tem mais: o PPS, partido que tradicionalmente se alinha ao PSDB no Estado promete se aventurar na disputa majoritária no ano que se aproxima.

A popularidade da apresentadora de TV e subprefeita da Lapa Soninha Francine faz com que o partido planeje colocá-la na briga pelo cargo máximo do Executivo no Estado.

“A candidatura da Soninha está amadurecendo. Ela vem visitando diversas regiões do Estado e é muito bem recebida. Mas é claro que tudo pode acontecer até junho, são várias as possibilidades que estudamos”, tem dito o deputado federal Arnaldo Jardim, um dos dirigentes do PPS paulista.

O ímpeto dos partidos de médio porte na briga por um lugar ao sol é guiado pela indefinição que permeia a tática eleitoral de petistas e peessedebistas. Tradicionais rivais e atores principais do embate político no Estado, PT e PSDB estão em compasso de espera e, ancorados na sucessão presidencial, correm o risco de perder terreno no maior colégio eleitoral do país, com 29 milhões de cidadãos aptos a votar (23% do contingente brasileiro). Seus comandantes insistem na tese de que o processo de escolha de candidatos começa para valer no primeiro trimestre de 2010.

Mais do mesmo

Além das neocelebridades da vida pública, a sucessão estadual deve contar com nomes que já se incorporaram à rotina (nem sempre bem-sucedida) de eleições no Estado.

O PP de Paulo Maluf e o PMDB de Orestes Quércia, embora sob impacto do desgaste de seus caciques, são parceiros cobiçados por conta do tempo de TV. O DEM, tradicional aliado do tucanato, aproveita a visibilidade que o prefeito da capital Gilberto Kassab alcançou com a campanha vitoriosa de 2008 para colocá-lo na rota eleitoral do Morumbi.

Já no PDT, a tendência é de composição - o pretenso candidato ao governo estadual, o prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos, descartou a empreitada em prol do projeto de apoiar o PT. O sindicalista Paulinho Pereira da Silva deve postular a reeleição na Câmara dos Deputados.

À esquerda do espectro eleitoral, tanto PSOL como PSTU devem lançar postulantes a governador - para cumprir tabela e pregar a ruptura com o ‘modelo que está aí’.